Biografia

Sou Michely Coutinho e, por muito tempo, contei minha história a partir do ano 2.000, 18 anos, quando ingressei no curso de Direito da UFG. Talvez por ser um tanto cautelosa com minha vida pessoal, e também por acreditar que projetos sociais ligados à igreja e à filantropia devessem seguir a não publicidade ditada pela Bíblia “Não sabes a mão direita o que faz a esquerda” (Mateus 6:3), orientação que também tomo pelo “A fé sem obras é morta” (Tiago 2:26). Entre escola, igreja, esportes e lazer, fui uma criança e adolescente goiana do pé rachado nas brincadeiras de rua, nerd e com muita energia nas veias – salve a infância 80 e adolescência 90! Fui estudante do Ensino Infantil no Centro Educacional Ursinho Branco (Jardim Diamantina, hoje Colégio Dimensão), do Ensino Fundamental no Centro Educacional Shallon (Urias Magalhães, antigamente a Escola Tia Terezinha), e do Ensino Médio no Colégio Ateneu Dom Bosco (Salesiano, desde a 8ª série em 1996) – quanta saudade e lembrança boa, com amigos que levo até hoje! A escola para a qual eu tanto me dedicava não era meu único espaço de socialização e ação, pelo que eu já me colocava como representante de turma e integrante de projetos culturais e esportivos. O esporte me levou, além do time de basquete e futebol do Ateneu, ao então Centro Olímpico (Estádio Olímpico), onde disputava jogos de juventude como a então Copa BEG. Além das medalhas das Olimpíadas de Matemática e Física, eu medalhava também nos esportes e hoje as guardo com carinho! E a fé me levou às obras sociais. A fé e meu avô Sebastião Luiz Coutinho, espírita, com quem aprendi uma fé e ação ao próximo. Inicialmente no Centro Espírita Irmã Sheila (Setor Fama), depois Centro Amor e Caridade (Centro, próximo à Rodoviária), e mais tarde na Irradiação Espírita (Setor Vila Nova), e outros locais que frequentei. Também tive estudos bíblicos e batizados na Igreja Católica e Evangélica, desde criança, quando também acompanhava minha avó paterna, Dona Izabel Nunes de Oliveira, à escola dominical, e sozinha me dirigia à catequese e Eucaristia da igreja do Urias. Mas o que mais me marca era acompanhar meu avô nas obras sociais: o Sopão aos sábados, e a Campanha Auta de Souza aos domingos, quando percorríamos as ruas dos bairros da Região Norte, de casa em casa, recolhendo alimentos e entregando uma mensagem de fé. Na Mocidade, eu a mais nova, um dígito de idade, ele o mais velho cantávamos, da criança ao velho: “A nossa alegria é bem do Evangelho/Vibra e contagia da criança ao velho/Mesmo entre perigos daremos as mãos/Como bons amigos, como bons cristãos”. O meu lugar no mundo é onde estão os meus amores, talvez por isso sempre morei aqui na Região Norte, bem pertinho dos meus pais, tios, primos e amigos de sempre. Ah, meus pais! Eu tenho a profissão dos meus pais! Advogada, como meu pai, e técnica-administrativa em educação como minha mãe. Exemplos de dedicação, fé e muito amor! A maior herança de família que possuo, riqueza mais valiosa do mundo: amor, educação e justiça social.

Iniciamos nossa trajetória de ativismo nos movimentos sociais enquanto diretora do CAXIM – Centro Acadêmico Onze de Maio, da Faculdade de Direito da UFG (2000, 2002 e 2003), quando também fui coordenadora-fundadora do NAJUP-UFG – Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (2003-2004), onde iniciei-me na luta pelos direitos humanos. Ainda na faculdade fui Coordenadora do MECCP – Movimento Estudantil pela Conscientização Cultural e Política (2000-2005), e do NEPEJUR – Núcleo de Pesquisa e Estudos Jurídicos (2001). Dentre várias atividades acadêmicas, fui integrante do NEP/FD/UFG – Núcleo de Estudos e Pesquisas da Faculdade de Direito da UFG (2003-2004), e do GEPECO/FD/UFG – Grupo de Estudos Permanentes em Direito Comparado – GEPECO da Faculdade de Direito da UFG (2003-2004).

Isso na Faculdade de Direito, minha parte matutina, pois eu vivi a universidade intensamente, dia e noite, vivendo mais do que o tripé ensino-pesquisa-extensão. Fui movimento social e de juventude, fui esporte, fui lazer e prazer. Até ao Show do Milhão (maio/2002), como universitária, representando a UFG, fui! Quanta coisa vivida nesse laboratório chamado movimento estudantil: reconstrução do DCE-UFG, congressos da UEE – União Estadual dos Estudantes, UNE – União Nacional dos Estudantes, e FENED – Federação Nacional dos Estudantes de Direito, greves estudantis e tantos seminários e atos públicos. Vivia entre o Campus I e II – o Samambaia onde fiz Centro de Línguas (Inglês), e diversos cursos no então FCHF – Faculdade de Ciências Humanas e Filosofia (onde vivi/o meus amores), como filosofia, cinema e comunicação. Foi na então FACOMB – Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia (hoje FIC) que conheci o CMI – Centro de Mídia Independente, tão importante na minha formação como comunicadora popular.

Minha atuação no mundo do trabalho e “sindical-teórico”, iniciou-se ainda na faculdade, quando estagiária do Tribunal Regional do Trabalho TRT-18ª Região (2004), pesquisadora PIBIC/CNPq (2003-2004) sobre sindicalismo, e monitora da disciplina de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da UFG (2003).

Em 2005 tomei posse no Banco do Brasil, tendo sido assistente de negócios empresariais até o ano de 2013. Quase uma década atuando com empresas e moradores da região de Campinas, me trouxe experiência e conhecimento na área de gestão e economia. Enquanto bancária, iniciei minha militância sindical, co-fundando o Coletivo Bancários Goiás | NÓS Bancários – Núcleo de Oposição Sindical, movimento de oposição que possui uma história desde a década de 70, do então movimento Integração (ainda irei escrever um livro sobre essa história). No Banco do Brasil também me integrei à Fundação Banco do Brasil, onde atuei com projetos de DRS – Desenvolvimento Regional Sustentável e responsabilidade social. Ainda hoje integro o CCBB – Comitê de Cidadania dos Funcionários do Banco do Brasil, ação social inspirada na Ação da Cidadania Contra a Miséria, a Fome e pela Vida, idealizada por Herbert José de Sousa, o Betinho, nos idos de 1993.

Em paralelo, na minha luta pelos direitos humanos assumi a pauta feminista e LGBT, tendo co-fundado o Coletivo Colcha de Retalhos (2005-2015), um grupo que nasce a partir da UFG e se estendeu para toda a cidade, como efetivo projeto de extensão e militância. Fundado por companheiras e companheiros valios@s, foi um dos movimentos importantes para a defesa e construção de políticas públicas LGBTs em Goiânia, o primeiro grupo LGBT da UFG. Dentre conferências, cursos, manifestações, paradas do Orgulho LGBT e várias ações, fomos Comissão Organizadora do ENUDS 2007 – Encontro Nacional Universitário de Diversidade Sexual, realizado aqui em Goiânia, na UFG. Assim, diversidade e gênero foram bandeiras fundamentais em minha trajetória de ativismo, na busca pela igualdade entre mulheres e homens, o protagonismo da mulher na política, a autonomia sobre suas decisões e sobre seu próprio corpo. Marchas do Oito de Março, Marcha das Vadias, seminários, cursos de formação e capacitação, conferências, rodas de conversa: feminismo como ferramenta de busca pela igualdade de gênero.

Em 2013 tomei posse como servidora técnica da UFG, tendo atuado como coordenadora administrativa da Faculdade de Educação Física e Dança-UFG e secretária-geral da EaD (educação a distância). Além dos importantes projetos da FEFD, integro ações e programas importantes de inclusão e ações afirmativas, como a comissão que regulamentou o nome social na UFG e a criação da CAAF – Coordenadoria de Ações Afirmativas. Em 2015 assumi a primeira diretoria de Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade do SINT-IFESgo (Sindicato dos técnico-administrativos da UFG, IFG, IF Goiano e Ebserh), dando continuidade à minha militância sindical. Atualmente, representando o SINT-IFESgo, integro a Comissão de Combate ao Assédio, nominada Comissão Permanente de Acompanhamento de Denúncias e Processos Administrativos Relacionados à Questões de Assédio Moral, Sexual e Preconceito.

Além dos direitos humanos, uma outra pauta que transversaliza minha atuação profissional e ativista: a comunicação e a inovação. Desde o movimento estudantil integro ações no próprio CAXIM e em parceria com coletivos como o CMI – Centro de Mídia Independente. Enquanto ativista digital sou administradora de blogs e fanpages do movimento social, participando de ações e movimentos pela democratização da comunicação. Em 2013 ingressei na Associação Mulheres na Comunicação – AMARC Brasil, onde integro a produção dos programas “Palavra de Mulher”, Rádio Difusora e do “Voz da Mulher”, Rádio Universitária, tendo me tornado radialista (DRT 5.007-Goiás). Ativista digital desde o próprio início das redes sociais, já que as instrumentalizo de forma política desde o MIRC e o Fotolog, sou grande entusiasta do rádio, e acredito que a comunicação é importante ferramenta de mobilização, formação e transformação social.

Nesse ínterim, também em 2013 passei a aprofundar meu interesse em economia e inovação. Conectada em movimentos de tecnologia e startup, conheci a FAJE-Goiás, Federação das Associações de Jovens Empreendedores de Goiás, na qual assumi em 2015 a diretoria de responsabilidade social. A partir daí assumi mais uma frente importante: a do empreendedorismo. Ingressando no curso de Economia da UFG encontrei nesse ecossistema ferramentas e projetos importantes que instrumentalizam uma bandeira cara para nós: a geração de emprego e renda e geração de oportunidades no mercado de trabalho, impulsionado o desenvolvimento econômico e social. Na Economia na UFG tive o prazer de integrar, ao lado de quem carinhosamente chamo de economigos, o Centro Acadêmico de Ciências Econômicas Paulo Bertran (CAECO/UFG), a Liga de Mercado Financeiro Focus, e a comissão organizadora do ENECO 2017 – Encontro Nacional de Estudantes de Economia. Na FAJE, após a diretoria de Responsabilidade Social, exercida nos biênios 2015-2016 e 2017-2018, agora integro a diretoria de Planejamento na gestão 2019-2021. Representando a FAJE, integro o Comitê Gestor para o Empreendedorismo Feminino, no GT Políticas Públicas, organização coordenada pelo Sebrae Goiás.

Em 2016, época de importante defesa para a democracia brasileira, lançamos candidatura a vereadora por Goiânia, pelo Partido dos Trabalhadores, no qual estive desde 2000 em eleições, e filiada em 2004. Foi uma candidatura resultado de uma construção coletiva a partir dos movimentos sociais, notadamente companheiros e companheiras que construímos a Frente Brasil Popular em Goiânia.

A Frente Brasil Popular (2015), juntamente com o FOGEFE – Fórum Goiano dos Sindicatos do Serviço Público Federal (2014) , é uma das origens da frente ampla de movimentos sociais e sindicais em Goiás, que atualmente se chama Fórum Goiano em Defesa de Direitos, Democracia e Soberania, desde 2019 e, entre 2017 e 2019 chamou-se Fórum Goiano contra as Reformas Trabalhistas e Previdenciárias. Inúmeras ações realizamos desde então: atos públicos, seminários, ações de comunicação na mídia e nas redes sociais, intervenções urbanas e outras lutas em defesa de direitos, democracia, direitos humanos, justiça social e soberania nacional é o que nos move. Outra grande frente ampla à qual me orgulho de integrar é o Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno. E tantas outras construções coletivas como a Frente LGBTI+ Goiás.

Enquanto participação em Conselhos, em 2019, representando a FAJE Goiás, passei a integrar o Conselho Estadual de Juventude (CONJUVE), e em 2020, representando o SINT-IFESgo, o Conselho Municipal da Mulher (CMDM).

Em 2020, mais um pouco de construção. Em 23 de junho, fundamos a Associação de Egressos e Egressas da UFG, da qual sou membro idealizadora e fundadora, e vice-presidente. A associação havia sido idealizada em 14 de dezembro de 2013, aniversário da UFG, mas somente em 2020 conseguimos oficializá-la e realizar ações em prol da universidade. Também neste ano iniciamos a Rede Goiás Internacional – rede de profissionais e entidades que buscam contribuir para a internacionalização do estado de Goiás, visando o desenvolvimento regional sob a perspectiva de ações globais com impactos locais. Mesmo enfrentando a pior pandemia de nossa geração, a construção por um mundo melhor segue viva e ativa entre nós. A esperança nos move e a fé conforta. Como disse Frei Betto em Goiânia (dezembro/2019, Centro Cultural da UFG, na III Jornada Goiana de Direitos Humanos do Comitê Dom Tomás, que orgulho construir): “Guardemos o pessimismo para dias melhores.” Dias mulheres virão!

E assim me sintetizo, como sintetizei em oito segundos no programa eleitoral na TV em 2016, quando fui candidata a vereadora por Goiânia, experiência que carrego com muito aprendizado e gratidão:
“Sou Michely Coutinho, advogada, educadora e servidora da UFG. Minha história é de luta pelo trabalho, educação e inclusão social. Que universidade e movimentos sociais contribuam no crescimento econômico e social de Goiânia! Sim, é possível mudar!”

Eis então um “cadim de mim”. Esse multiverso em verso e prosa. Sou porque somos!

Mais sobre mim (vitae, lattes e afins) em www.michelycoutinho.com.br/curriculo