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Saudades de 1964 e o Instituto Millenium

Saudades de 1964
O Instituto Millenium é a versão contemporânea, mas não moderna, dos golpistas do passado

Por Leandro Fortes
Publicado 02/01/2013 09:11, última modificação 02/01/2013 09:11

Em 1º de março de 2010, uma reunião de milionários em luxuoso hotel de São Paulo foi festejada pela mídia nacional como o início de uma nova etapa na luta da civilização ocidental contra o ateísmo comunista e a subversão dos valores cristãos. Autodenominado 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, o evento teve como anfitriões três dos maiores grupos de mídia nacional: Roberto Civita, dono da Editora Abril, Otávio Frias Filho, da Folha de S.Paulo, e Roberto Irineu Marinho, da Globo.

O evento, que cobrou dos participantes uma taxa de 500 reais, foi uma das primeiras manifestações do Instituto Millenium, organização muito semelhante ao Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (Ipes), um dos fomentadores do golpe de 1964 (quadro à pág. 28). Como o Ipes de quase 50 anos atrás, o Millenium funda seus princípios na liberdade dos mercados e no medo do “avanço do comunismo”, hoje personificado nos movimentos bolivarianos de Hugo Chávez, Rafael Correa e Evo Morales. Muitos de seus integrantes atuais engrossaram as marchas da família nos anos 60 e sustentaram a ditadura. Outros tantos, mais jovens, construíram carreiras, principalmente na mídia, e ganharam dinheiro com um discurso tosco de criminalização da esquerda, dos movimentos sociais, de minorias e contra qualquer política social, do Bolsa Família às cotas nas universidades.

Há muitos comediantes no grupo. No seminário de 2010, o “democrata” Arnaldo Jabor arrancou aplausos da plateia ao bradar: “A questão é como impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo?” Isso, como? A resposta é tão clara como a pergunta: com um golpe. No mesmo evento brilhou Marcelo Madureira, do Casseta & Planeta. Como se verá ao longo deste texto, há um traço comum entre vários “especialistas” do Millenium: muitos se declaram ex-comunistas, ex-esquerdistas, em uma tentativa de provar que suas afirmações são fruto de uma experiência real e não da mais tacanha origem conservadora. Madureira não foge à regra: “Sou forjado no pior partido político que o Brasil já teve”, anunciou o “arrependido”, em referência ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), o velho Partidão. Após a autoimolação, o piadista atacou, ao se referir ao governo do PT de então: “Eu conheço todos esses caras que estão no poder, eram os caras que não estudavam”. Eis o nível.

O símbolo do Millenium é um círculo de sigmas, a letra grega da bandeira integralista, aquela turma no Brasil que apoiou os nazistas. Jabor e Madureira estão perfilados em uma extensa lista de colaboradores no site da entidade, quase todos assíduos frequentadores das páginas de opinião dos principais jornais e de programas na tevê e no rádio. Montado sob a tutela do suprassumo do pensamento conservador nacional e financiado por grandes empresas, o instituto vende a imagem de um refinado clube do pensamento liberal, uma cidadela contra a barbárie. Mas a crítica primária e o discurso em uníssono de seus integrantes têm pouco a oferecer além de uma narrativa obscura da política, da economia e da cultura nacional. Replica, às vezes com contornos acadêmicos, as mesmas ideias que emanam do carcomido auditório do Clube Militar, espaço de recreação dos oficiais de pijama.

Meio empresa, meio quartel, o Millenium funciona sob uma impressionante estrutura hierárquica comandada e financiada por medalhões da indústria. Baseia-se na disseminação massiva de uma ideia central, o liberalismo econômico ortodoxo, e os conceitos de livre-mercado e propriedade privada. Tudo bem se fosse só isso. No fundo, o discurso liberal esconde um frequente flerte com o moralismo udenista, o discurso golpista e a desqualificação do debate público. Criado em 2005 com o curioso nome de “Instituto da Realidade”, transformou-se em Millenium em dezembro de 2009 após ser qualificado como Organização Social de Interesse Público (Oscip) pelo Ministério da Justiça. Bem a tempo de se integrar de corpo e alma à campanha de José Serra, do PSDB, nas eleições presidenciais de 2010. Em pouco tempo, aparelhado por um batalhão de “especialistas”, virou um bunker antiesquerda e principal irradiador do ódio de classe e do ressentimento eleitoral dedicado até hoje ao ex-presidente Lula.

O batalhão de “especialistas” conta com 180 profissionais de diversas áreas, entre eles, o jornalista José Nêumanne Pinto, o historiador Roberto DaMatta e o economista Rodrigo Constantino, autor do recém-lançado Privatize Já. A obra é um libelo privatizante feito sob encomenda para se contrapor ao livro A Privataria Tucana, do jornalista Amaury Ribeiro Jr., sobre as privatizações nos governos de Fernando Henrique Cardoso que beneficiaram Serra e seus familiares. E não há um único dos senhores envolvidos com as privatizações dos anos 1990 que hoje não nade em dinheiro.

Os “especialistas” são todos, curiosamente, brancos. Talvez por conta da adesão furiosa da agremiação aos manifestantes anticotas raciais. A tropa é comandada pelo jornalista Eurípedes Alcântara, diretor de redação da revista Veja, publicação onde, semanalmente, o Millenium vê seus evangelhos e autos de fé renovados. Alcântara é um dos dois titulares do Conselho Editorial da entidade. O outro é Antonio Carlos Pereira, editorialista de O Estado de S. Paulo.

Alcântara e Pereira não são presenças aleatórias, tampouco foram nomeados por filtros da meritocracia, conceito caríssimo ao instituto. A dupla de jornalistas representa dois dos quatro conglomerados de mídia que formam a bússola ideológica da entidade, a Editora Abril e o Grupo Estado. Os demais são as Organizações Globo e a Rede Brasil Sul (RBS).

O Millenium possui uma direção administrativa formada por dez integrantes, entre os quais destaca-se a diretora-executiva Priscila Barbosa Pereira Pinto. Embora seja a principal executiva de um instituto que tem entre suas maiores bandeiras a defesa da liberdade de imprensa e de expressão – e à livre circulação de ideias –, Priscila Pinto não se mostrou muito disposta a fornecer informações a CartaCapital. A executiva recusou-se a explicar o formidável organograma que inclui uma enorme gama de empresas e empresários.

Entre os “mantenedores e parceiros”, responsáveis pelo suporte financeiro do instituto, estão empresas como a Gerdau, a Localiza (maior locadora de veículos do País) e a Statoil, companhia norueguesa de petróleo. No “grupo máster” aparece a Suzano, gigante nacional de produção de papel e celulose. No chamado “grupo de apoio” estão a RBS, o Estadão e o Grupo Meio & Mensagem.

Há ainda uma lista de 25 doadores permanentes, entre os quais, se incluem o vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto Marinho, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga e o presidente da Coteminas, Josué Gomes da Silva, filho do falecido empresário José Alencar da Silva, vice-presidente da República nos dois mandatos de Lula. O organograma do clube da reação possui também uma “câmara de fundadores e curadores” (22 integrantes, entre eles o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco e o jornalista Pedro Bial), uma “câmara de mantenedores” (14 pessoas) e uma “câmara de instituições” com nove membros. Gente demais para uma simples instituição sem fins lucrativos.

Uma das atividades fundamentais é a cooptação, via concessão de bolsas de estudo no exterior, de jovens jornalistas brasileiros. Esse trabalho não é feito diretamente pelo instituto, mas por um de seus agregados, o Instituto Ling, mantido pelo empresário William Ling, dono da Petropar, gigante do setor de petroquímicos. Endereçado a profissionais com idades entre 24 e 30 anos, o programa “Jornalista de Visão” concede bolsas de mestrado ou especialização em universidades dos Estados Unidos e da Europa a funcionários dos grupos de mídia ligados ao Millenium.

Em 2010, quando o programa se iniciou, cinco jornalistas foram escolhidos, um de cada representante da mídia vincula-da ao Millenium: Época (Globo), Veja (Abril), O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo e Zero Hora (RBS). Em 2011, à exceção de um repórter do jornal A Tarde, da Bahia, o critério de escolha se manteve. Os agraciados foram da Época (2), Estadão (1), Folha (2), Zero Hora (1) e revista Galileu (1), da Editora Globo. Neste ano foram contemplados três jornalistas do Estadão, dois da Folha, um da rádio CBN (Globo), um da Veja, um do jornal O Globo e um da revista Capital Aberto, especializada em mercado de capitais.

Para ser escolhido, segundo as diretrizes apresentadas pelo Instituto Ling, o interessado não deve ser filiado a partidos políticos e demonstrar “capacidade de liderança, independência e espírito crítico”. Os aprovados são apresentados durante um café da manhã na entidade, na primeira semana de agosto, e são obrigados a fazer uma espécie de juramento: prometer trabalhar “pelo fortalecimento da imprensa no Brasil, defendendo os valores de independência, democracia, economia de mercado, Estado de Direito e liberdade”.

O Millenium investe ainda em palestras, lançamentos de livros e debates abertos ao público, quase sempre voltados para assuntos econômicos e para a discussão tão obsessiva quanto inútil sobre liberdade de imprensa e liberdade de expressão. Todo ano, por exemplo, o Millenium promove o “Dia da Liberdade de Impostos” e organiza os debates “Democracia e Liberdade de Expressão”. Entre os astros especialmente convidados para esses eventos estão Marcelo Tas, da Band, e Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, ambos de Veja. Humoristas jornalistas. Ou vice-versa.

O que toda essa gente faz e quanto cada um doa individualmente é mantido em segredo. Apesar da insistência de CartaCapital, a diretora-executiva Priscila Pinto mandou informar, via assessoria de imprensa, que não iria fornecer as informações requisitadas pela reportagem. Limitou-se a enviar nota oficial com um resumo da longa apresentação reproduzida na página eletrônica do Millenium sobre a missão do instituto. Entre eles, listado na rubrica “código de valores”, consta a premissa da transparência, voltada para “possibilidade de fiscalização pela sociedade civil e imprensa”. Valores, como se vê, bem flexíveis.

Josué Gomes e Gerdau também não atenderam aos pedidos de entrevista. O silêncio impede, no caso do primeiro, que se entenda o motivo de ele contribuir com um instituto cuja maioria dos integrantes sistematicamente atacou o governo do qual seu pai não só participou como foi um dos mais firmes defensores. E se ele é contra, por exemplo, a redução dos juros brasileiros a níveis civilizados. O industrial José Alencar passou os oito anos no governo a reclamar das taxas cobradas no Brasil. A turma do Millenium, ao contrário, brada contra o “intervencionismo estatal” na queda de braço entre o Palácio do Planalto e os bancos pela queda nos spreads cobrados dos consumidores finais.

No caso de Gerdau, seria interessante saber se o empresário, integrante da câmara de gestão federal, concorda com a tese de que a tentativa de redução no preço de energia é uma “intervenção descabida” do Estado, tese defendida pelo instituto que ele financia. Gerdau e Josué se perfilam, de forma consciente ou não, ao Movimento Endireita Brasil, defensor de teses esdrúxulas como a de que os militares golpistas de 1964 eram todos de esquerda.

O que há de transparência no Millenium não vem do espírito democrático de seus diretores, mas de uma obrigação legal comum a todas as ONGs certificadas pelo Ministério da Justiça. Essas entidades são obrigadas a disponibilizar ao público os dados administrativos e informações contábeis atualizadas. A direção do instituto se negou a informar à revista os valores pagos individualmente pelos doadores, assim como não quis discriminar o tamanho dos aportes financeiros feitos pelas empresas associadas.

A contabilidade disponível no Ministério da Justiça, contudo, revela a pujança da receita da entidade, uma média de 1 milhão de reais nos últimos dois anos. Em três anos de funcionamento auditados pelo governo (2009, 2010 e 2011), o Millenium deu prejuízos em dois deles.

Em 2009, quando foi certificado pelo Ministério da Justiça, o instituto conseguiu arrecadar 595,2 mil reais, 51% dos quais oriundos de doadores pessoas físicas e os demais 49% de recursos vindos de empresas privadas. Havia então quatro funcionários remunerados, embora a direção do Millenium não revele quem sejam, nem muito menos quanto recebem do instituto. Naquele ano, a entidade fechou as contas com prejuízo de 8,9 mil reais.

Em 2010, graças à adesão maciça de empresários e doadores antipetistas em geral, a arrecadação do Millenium praticamente dobrou. A receita no ano eleitoral foi de 1 milhão de reais, dos quais 65% vieram de doações de empresas privadas. O número de funcionários remunerados quase dobrou, de quatro para sete, e as contas fecharam no azul, com superávit de 153,9 mil reais.

Segundo as informações referentes ao exercício de 2011, a arrecadação do Millenium caiu pouco (951,9 mil reais) e se manteve na mesma relação porcentual de doadores (65% de empresas privadas, 35% de doações de pessoas físicas). O problema foi fechar as contas. No ano passado, a entidade amargou um prejuízo de 76,6 mil reais, mixaria para o volume de recursos reunidos em torno dos patrocinadores e mantenedores. Apenas com verbas publicitárias repassadas pelo governo federal, a turma midiática do Millenium faturou no ano passado 112,7 milhões de reais.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/politica/saudades-de-1964-2

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Publicado em Eleições

Confuso com as eleições? Confira o guia para operar com base no noticiário político

Como saber quando sairão as próximas pesquisas, quais os efeitos de cada uma delas e como a economia e a Copa pode afetar o resultado das eleições?
Por Lara Rizério |8h55 | 14-07-2014 | InfoMoney

SÃO PAULO – A Copa do Mundo acabou e, agora, o foco não mais só do mercado mas também de grande parte da população será um só: as eleições de 2014. Dentre os principais candidatos, estão a presidente Dilma Rousseff (PT), o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) e o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos.

A disputa eleitoral está quente desde março, quando foram divulgadas as primeiras pesquisas eleitorais que guiaram o mercado, em meio à tendência de queda da popularidade e intenção de voto da presidente Dilma Rousseff. Desde então, os candidatos tiveram altos e baixos nestes quatro meses. Mas o que realmente significa uma alta ou uma queda da popularidade de Dilma? No que ficar de olho e como estar atento aos dados que serão divulgados e que podem sinalizar os novos acontecimentos na disputa eleitoral?

Para responder a essas perguntas, o InfoMoney montou com base no noticiário e em relatórios de bancos e corretoras um guia para operar com base no noticiário político. Confira no que se atentar:

1. Como funcionam as pesquisas eleitorais?
Os institutos devem fazer o registro das pesquisas presidenciais no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até cinco dias antes de sua divulgação. O registro deve informar quem contratou a pesquisa, a metodologia utilizada e o período de realização, entre outros dados.

No caso do Datafolha, o instituto faz pesquisas eleitorais apenas para veículos de comunicação, e não para partidos, candidatos ou outras organizações. Já o Ibope, além de fazer levantamentos para o jornal O Estado de S. Paulo e as Organizações Globo, também realizou levantamento contratado pela UVESP (União dos Vereadores do Estado de São Paulo), por exemplo.

A lei permite registrar uma pesquisa para divulgação depois de realizado o campo e conhecido o resultado. Conforme destaca a XP Investimentos, o procedimento pode abrir, eventualmente, a possibilidade de uso estratégico das pesquisas eleitorais como instrumentos de marketing político. No caso da Datafolha, esse procedimento não é utilizado.

Quanto à metodologia, os principais institutos aplicam os questionários nas casas dos entrevistados. Os principais institutos brasileiros não aceitam pesquisas por telefone. Já o Datafolha faz a abordagem nas ruas. A metodologia do Datafolha pratica a checagem simultânea dos questionários no momento das entrevistas e, posteriormente, por telefone. O método mais rápido, mas pode requerer um número maior de entrevistas.

A ordem das perguntas também distingue a forma como os entrevistados são abordados. Os principais institutos de pesquisa fazem perguntas introdutórias antes de perguntar a intenção de voto. É comum entre institutos fazer perguntas referentes ao grau de conhecimento sobre os candidatos citados nos formulários ou a aprovação no governo.

2. Onde é possível encontrar as datas para divulgação das pesquisas eleitorais?
Registro de Pesquisas:
http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/pesquisas-eleitorais-eleicoes-2014

Divulgação dos resultados de todas as Pesquisas:
http://www.eleicoes2014.com.br/pesquisas-eleitorais/

3. Quais serão as datas mais relevantes para as eleições?
As datas mais relevantes podem ser encontradas na íntegra através do calendário eleitoral 2014:
http://www.tse.jus.br/eleicoes/eleicoes-2014/calendario-eleitoral#2_6_2014. Confira alguns dos principais eventos que podem ser determinantes para as eleições, segundo o HSBC:

29 de agosto: Divulgação dos dados sobre o crescimento do PIB no segundo trimestre de 2014. A equipe econômica do HSBC revisou recentemente para baixo sua projeção de crescimento para o PIB em 2014, passando de 1,7% para 1,1%, e manteve sua projeção para 2015 inalterada em 1,2%.
“Temos recomendado aos investidores que avaliem o risco de recessão no Brasil, ao acompanhar dois indicadores de alta frequência: confiança dos empresários e dados do estoque. Ambos apresentaram recentemente surpresas negativas”, avaliam os analistas.

05 de outubro: Primeiro turno da corrida presidencial. A última pesquisa Datafolha sinalizou que a presidente tem 38% da preferência do eleitorado, ante 34% registrados na leitura de junho. Os candidatos da oposição também avançaram, porém em menor margem. O senador Aécio Neves, do PSDB, variou de 19% para 20%, enquanto o ex-governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB, oscilou de 7% para 9%.

26 de outubro: Segundo turno da corrida presidencial. De acordo com o Datafolha, a vantagem de Dilma contra Aécio voltou a cair: 7% em julho (46% a 39%), contra 8% em junho e 11% em maio. Frente a Eduardo Campos, Dilma tem um diferencial de 13 pontos percentuais, contra 15 pontos em junho e 17 pontos em maio.

4. Quanto tempo a candidata Dilma Roussef tem na TV?
Segue os tempos estimados de propaganda eleitoral gratuita para cada partido na TV, no primeiro turno. A presidente Dilma Rousseff não pode reclamar quando o assunto é tempo de exposição nas televisões e rádios durante o período de propaganda eleitoral, pois possui muito mais tempo do que os outros candidatos.

Números preliminares do Tribunal Superior Eleitoral mostram que a petista tem pouco menos do que a soma de exposição de todos os seus 10 oponentes nas urnas. Enquanto a candidata à reeleição terá 11 minutos e 48 segundos, os seus 10 rivais, incluindo Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), terão 13 minutos e 7 segundos.

Confira os partidos que apoiam cada um onze candidatos:
DILMA ROUSSEFF (PT)
PT (Partido dos Trabalhadores); PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro); PDT (Partido Democrático Trabalhista); PCdoB (Partido Comunista do Brasil); PP (Partido Popular); PR (Partido da República); PSD (Partido Social Democrático); PROS (Partido Republicano da Ordem Social) e PRB (Partido Republicano Brasileiro).

AÉCIO NEVES (PSDB)
PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira); DEM (Democratas); PTB (Partido Trabalhista Brasileiro); SD (Solidariedade); PMN (Partido da Mobilização Nacional); PTC (Partido Trabalhista Cristão); PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil); PTN (Partido Trabalhista Nacional) e PEN (Partido Ecológico Nacional).

EDUARDO CAMPOS (PSB)
PSB (Partido Socialista Brasileiro); PPS (Partido Popular Socialista); PRP (Partido Republicano Progressista); PSL (Partido Social Liberal); PPL (Partido Pátria Livre) e PHS (Partido Humanista da Solidariedade).

PASTOR EVERALDO (PSC)
PSC (Partido Social Cristão)

EDUARDO JORGE (PV)
PV (Partido Verde)

LUCIANA GENRO (PSOL)
PSOL (Partido Socialismo e Liberdade)

ZÉ MARIA (PSTU)
PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado)

MAURO IASI (PCB)
PCB (Partido Comunista Brasileiro)

LEVY FIDELIX (PRTB)
PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro)

JOSÉ MARIA EYMAEL (PSDC)
PSDC (Partido Social Democrata Cristão)

RUI COSTA PIMENTA (PCO)
PCO (Partido da Causa Operária)

5. Como a economia influencia o quadro eleitoral?
Apesar de as pesquisas de aprovação do governo estarem indicando que os principais fatores de desaprovação do governo Dilma são saúde e educação, os modelos elaborados pela equipe de análise da XP Investimentos sinalizam que os fatores econômicos têm grande influência no comportamento da aprovação do governo, o que acaba batendo nas intenções de voto.

“Pelos nossos modelos, o mercado de trabalho é a variável chave para explicar a aprovação do presidente. O nível de ocupação no mercado de trabalho e o comportamento do rendimento dos indivíduos descontada a taxa de inflação são as variáveis mais relevantes”.

Já a inflação acaba afetando a aprovação do presidente pelo seu efeito sobre o rendimento real, que é corroído com os altos preços. Tendo em vista a desaceleração do mercado de trabalho, com movimento ainda em curso pela avaliação da XP, com queda da taxa de ocupação (pessoas ocupadas em relação à população em idade ativa) e com o crescimento mais moderado do rendimento real, deveremos ter um pleito bastante competitivo, com eleição em dois turnos.

6. A Copa do Mundo pode influenciar o resultado das eleições?
A influência da recém-encerrada Copa do Mundo é um dos pontos principais para esse início de campanha dos candidatos à presidência.

A XP ressalta que, tomando como referência os mundiais anteriores, não há uma correlação clara entre o desempenho da seleção brasileira na Copa e o quadro eleitoral. Aparentemente, os eleitores não misturam futebol e política. Sem contar que a distância temporal entre o fim dos jogos e o primeiro turno das eleições é razoável. Dois meses é meio é bastante no tempo da política.

E o fato da Copa do Mundo ter ocorrido no Brasil também não altera a análise, ressalta a XP. Conforme ressaltou o sociólogo Alberto Almeida em sua coluna no Valor Econômico no dia 10 de junho: “em 1950, a Copa do Mundo na qual o Brasil foi derrotado em casa pelo Uruguai terminou em julho e a eleição ocorrida em três de outubro daquele ano levou Getúlio Vargas de volta à presidência em um resultado que favoreceu ao governo. O presidente que antecedeu Vargas foi Dutra, que foi apoiado por Vargas na eleição de 1945. A seleção foi derrotada em casa, mas o governo venceu as eleições. O único precedente, portanto, mostra que não houve conexão entre resultado no campo de futebol e resultado eleitoral.”

Por outro lado, houve o efeito da goleada da Alemanha no Brasil por 7 a 1, que tem expectativa de ser repercutido nas próximas pesquisas eleitorais, caso do Datafolha, instituto Sensus e Ibope. Logo após a derrota brasileira, o Ibovespa subiu quase 2%; a expectativa é que a popularidade e as intenções de voto em Dilma Rousseff, que subiram no último Datafolha com a Copa sendo bem sucedida e os protestos se arrefecendo, voltem a cair.

Porém, há algumas controvérsias sobre o assunto. “Como nossa ‘miséria’ na Copa afetaria o cenário eleitoral? Não está claro. Imaginava-se que alguma confusão pudesse prejudicar Dilma – mas a Copa correu sem tropeços. Também se esperava que um fracasso da seleção atingisse o humor do eleitor: não está claro ainda em que direção. Vejamos o que dirão as pesquisas eleitorais”, avalia a Guide Investimentos.

Para o economista-chefe da Austin Ratings, Alex Agostini, o resultado do Brasil na Copa e o ambiente político podem ser relacionados, mas não diretamente e nem são determinantes para o cenário eleitoral. “Há algum tempo, o mercado vem sinalizando a queda de Dilma nas pesquisas, que levam à alta da Bolsa, e vice-versa. Com a alta do Ibovespa sendo determinada nos últimos meses pelos levantamentos eleitorais, o mercado manda um recado claro para a presidente que está insatisfeito com a condução da economia”, aponta.

Segundo Agostini, ninguém faz uma relação direta entre a derrota do Brasil na Copa e a presidente e, por isso, não há nenhuma comprovação empírica sobre se haverá realmente um efeito. Porém, os brasileiros devem voltar a recuperar o mau humor que havia no cenário antes da Copa, o que pode resgatar as reclamações sobre os altos gastos do evento em detrimento a investimentos em saúde e educação. “O mercado, obviamente, aproveita a oportunidade para relacionar os fatos”, avalia o economista.

Fonte: http://www.infomoney.com.br/mercados/noticia/3452558/confuso-com-eleicoes-confira-guia-para-operar-com-base-noticiario?utm_source=newsletter&utm_medium=email&utm_campaign=nlmercados