Publicado em Coaching e Desenvolvimento

Águia

Duas histórias para inspiração: águia!

Águia aos 40 anos!

A Águia é a ave que possui a maior longevidade da espécie. Vive cerca de 70 anos. Porém, para chegar a essa idade, aos 40 anos, ela precisa tomar uma séria e difícil decisão.

Aos 40 anos de idade, suas unhas estão compridas e flexíveis e já não conseguem mais agarrar as presas das quais se alimenta. O bico, alongado e pontiagudo se curva, suas asas tornam-se pesadas em função da grossura de suas penas, estão envelhecidas pelo tempo. Já se passaram 40 anos do dia em que a jovem águia lançou voo pela primeira vez. Hoje, para a experiente águia, voar já é bem difícil!

Nessa situação a águia só tem duas alternativas:
Deixar-se morrer… ou enfrentar um doloroso processo de renovação que irá durar 150 dias.
Esse processo consiste em voar para o alto de uma montanha e lá se recolher em um ninho que esteja próximo a um paredão. Um local Seguro de outros predadores e de onde, para retornar, ela necessite dar um voo firme e pleno. Ao encontrar esse lugar, a águia começa a bater o seu bico contra a parede até conseguir arrancá-lo, enfrentando, corajosamente, a dor que essa atitude acarreta. Pacientemente, espera o nascer de um novo bico, com o qual irá arrancar as suas velhas unhas. Com as novas unhas ela passa a arrancar as velhas penas.

Após cinco meses, “Esta Renascida”, sai para o famoso voo de renovação, certa da vitória e de estar preparada para viver, então, por mais 30 anos.

Muitas vezes, em nossas vidas, temos que parar e refletir por algum tempo, e dar início a um processo de renovação. Devemos nos desprender dos pré-conceitos, dos maus costumes, de tudo aquilo que não é mais útil ou importante, para continuarmos a voar. Um voo de vitória. Somente quando livres das barreiras e pesos do passado, poderemos aproveitar o resultado valioso que uma renovação sempre traz.

Destrua o bico do ressentimento, arranque as unhas do medo, retire as velhas penas de suas asas, permitindo o fluir de novos pensamentos. Alce um lindo voo para uma nova vida de sonhos e realizações.

Tenha sempre uma meta: “Voe alto e seja Feliz”.

Autoria desconhecido


A Fábula da Águia e da Galinha

A globalização representa uma etapa nova no processo de cosmogênese e de antropogênuese. Temos que entrar nela. Não do jeito que as potências controladoras do mercado mundial querem -mercado competitivo e nada cooperativo-, apenas interessadas em nossas riquezas materiais, reduzindo-nos a meros consumidores. Nós queremos entrar soberanos e conscientes de nossa possível contribuição ecológica, multicultural e espiritual.

Percebe-se desmesurado entusiasmo do atual governo pela globalização. O presidente fala dela sem as nuances que colocariam em devida luz nossa singularidade. Ele tem capacidade para ser uma voz própria e não o eco da voz dos outros.

Para ele e seus aliados, conto uma história que vem de um pequeno país da África Ocidental, Gana, narrada por um educador popular, James Aggrey, nos inícios deste século, quando se davam os embates pela descolonização. Oxalá os faça pensar.

Era uma vez um camponês que foi à floresta vizinha apanhar um pássaro, a fim de mantê-lo cativo em casa. Conseguiu pegar um filhote de águia. Colocou-o no galinheiro junto às galinhas. Cresceu como uma galinha.

Depois de cinco anos, esse homem recebeu em sua casa a visita de um naturalista. Enquanto passeavam pelo jardim, disse o naturalista: “Esse pássaro aí não é uma galinha. É uma águia”.

“De fato”, disse o homem. “É uma águia. Mas eu a criei como galinha. Ela não é mais águia. É uma galinha como as outras.”

“Não”, retrucou o naturalista. “Ela é e será sempre uma águia. Pois tem um coração de águia. Este coração a fará um dia voar às alturas.”

“Não”, insistiu o camponês. “Ela virou galinha e jamais voará como águia.”
Então decidiram fazer uma prova. O naturalista tomou a águia, ergueu-a bem alto e, desafiando-a, disse: “Já que você de fato é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, então abra suas asas e voe!”.

A águia ficou sentada sobre o braço estendido do naturalista. Olhava distraidamente ao redor. Viu as galinhas lá embaixo, ciscando grãos. E pulou para junto delas.

O camponês comentou. “Eu lhe disse, ela virou uma simples galinha!”.
“Não”, tornou a insistir o naturalista. “Ela é uma águia. E uma águia sempre será uma águia. Vamos experimentar novamente amanhã.”
No dia seguinte, o naturalista subiu com a águia no teto da casa. Sussurrou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, abra suas asas e voe!”.
Mas, quando a águia viu lá embaixo as galinhas ciscando o chão, pulou e foi parar junto delas.

O camponês sorriu e voltou à carga: “Eu havia lhe dito, ela virou galinha!”.
“Não”, respondeu firmemente o naturalista. “Ela é águia e possui sempre um coração de águia. Vamos experimentar ainda uma última vez. Amanhã a farei voar.”

No dia seguinte, o naturalista e o camponês levantaram bem cedo. Pegaram a água, levaram-na para o alto de uma montanha. O sol estava nascendo e dourava os picos das montanhas.

O naturalista ergueu a águia para o alto e ordenou-lhe: “Águia, já que você é uma águia, já que você pertence ao céu e não à terra, abra suas asas e voe!”.
A águia olhou ao redor. Tremia, como se experimentasse nova vida. Mas não voou. Então, o naturalista segurou-a firmemente, bem na direção do sol, de sorte que seus olhos pudessem se encher de claridade e ganhar as dimensões do vasto horizonte.

Foi quando ela abriu suas potentes asas. Ergueu-se, soberana, sobre si mesma. E começou a voar, a voar para o alto e a voar cada vez mais para o alto. Voou. E nunca mais retornou.

Povos da África (e do Brasil)! Nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Mas houve pessoas que nos fizeram pensar como galinhas. E nós ainda pensamos que somos efetivamente galinhas. Mas nós somos águias.
Por isso, irmãos e irmãs, abram as asas e voem. Voem como as águias. Jamais se contentem com os grãos que lhes jogarem aos pés para ciscar.

Leonardo Boff é teólogo, filósofo e membro da Iniciativa Internacional da Carta da Terra
Fonte: https://leonardoboff.org/2020/09/16/a-fabula-da-aguia-e-da-galinha/

Publicado em Michely Coutinho, Na mídia, Produção

Direitos LGBTQIA+: Audiência é marcada por união de vereadores e Movimento em busca de ações contra preconceito e construção de políticas públicas para o segmento

Mandatos parlamentares unidos na escuta de demandas, na garantia de direitos e na construção de políticas públicas efetivas de combate ao preconceito e atenção à comunidade LGBTQIA+. Esse foi, ao mesmo tempo, o objetivo e o resultado da Audiência Pública realizada na tarde desta quinta-feira, 8 de julho, na Câmara de Goiânia, de forma conjunta pelos vereadores Marlon Teixeira (Cidadania), Aava Santiago (PSDB) e Mauro Rubem (PT). 

O evento – que teve início pouco depois das 15 horas e se estendeu até por volta das 18h30 – ocorreu de forma híbrida, com presenças em Plenário e por meio da plataforma Zoom, com transmissão ao vivo pelo canal oficial da Câmara no YouTube, onde a gravação encontra-se disponível. A Audiência teve como convidados, na Mesa presidida pelo vereador Marlon Teixeira, a secretária municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Cristina Lopes; o responsável pela Gerência LGBTQIA+ da pasta, Vitor Cadillac; Rogério Araújo, gerente de Diversidade Sexual da Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás (Seds-GO); a conselheira tutelar Roselei Galhardo; e Amanda Souto, presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/GO. 

Também registraram presença no debate as vereadoras Sabrina Garcêz (PSD), Gabriela Rodart (DC) e Lucíula do Recanto (PSD), além do deputado estadual Virmondes Cruvinel (Cidadania) – estes dois últimos, de forma virtual. Lideranças e representantes do Movimento LGBTQIA+ no Estado participaram ativamente da discussão, tanto presencialmente quanto por meio das plataformas online.     

O início do evento foi marcado por apresentação de voz e violão dos artistas Bebel Roriz e Leandro Moura. Abrindo oficialmente os trabalhos, o vereador Marlon Teixeira destacou, em sua fala inicial, ser, aquele momento, o início de várias agendas positivas que ele e os colegas de Parlamento Aava Santiago e Mauro Rubem pretendem colocar em pauta. “Essa é a Casa de vocês. Se sintam muito bem-vindos. Tenham a certeza de que, no nosso Mandato, vocês estarão representados”, afirmou. “Hoje estamos aqui, humildemente, para ouvir, e para, juntos, buscar ações práticas; queremos fazer a diferença”, acrescentou. 

A vereadora Aava Santiago lembrou, por sua vez, um dos motivos pelos quais a realização da Audiência Pública se fez tão necessária: “No dia 29 de junho tivemos, nesta Casa, uma das sessões que entra para a história do Poder Legislativo Goianiense como um dos seus episódios mais lamentáveis. É emblemático e forte. Eu jamais imaginaria que trouxessem para o Parlamento, ainda em 2021, e um dia após a celebração do Orgulho LGBTQUIA+, pensamentos obscurantistas e até criminosos, quando vereadores, pagos com o dinheiro público, vieram a essa tribuna dizer que gay não é normal, chegando a comparar os LGBTQUIA+ a usuários e traficantes de cocaína”, sustentou. 

“Hoje, nesta Audiência, mais do que pensar a política pública, vocês estão dizendo que o Legislativo Goianiense é lugar de gente; vocês, sentados nessas cadeiras, no lugar deles, são a antítese dessa desumanização, desse preconceito que nós não permitiremos que seja imposto nesta Casa”, completou Aava. O vereador Mauro Rubem reiterou que os Mandatos dele, de Aava e de Marlon estão à disposição: “Que vocês os utilizem para fazer com que respeitem a Constituição; é preciso que voltem aqui, que não saiam daqui. Somos todos iguais. Vamos fazer valer as leis que já aprovamos e construir outras. Nunca foi fácil. Somos feitos de lutas. Que esta Casa não tenha vocês lá de fora. A Câmara não será uma ilhazinha de homofóbicos, de hipócritas. Viva a nossa união, viva a nossa diversidade!”

A crítica ao preconceito também deu tom aos pronunciamentos das vereadoras Sabrina Garcêz e Lucíula do Recanto. “Essa Câmara presenciou momentos terríveis; ouvi falas que me deixaram chocada, que nunca imaginei ouvir de quem foi eleito para defender o cidadão. Ao poder público cabe ouvir as demandas da população e fazer disso uma realidade. Precisamos exercitar a empatia, o respeito. A política só vale a pena se impactar positivamente”, declarou Sabrina. “O amor não tem forma. É universal, tem que alcançar todos os corações. Nós, seres humanos, temos a tendência de utilizar a religião para justificar atitudes e o amor pertence a todas as religiões. Precisamos aprender a não julgar, mas, principalmente, a respeitar”, pontuou Lucíula. 

Em uma passagem rápida pela Audiência Pública, presencialmente e acompanhada de dois assessores, a vereadora Grabriela Rodart fez questão de ressaltar a sua posição em defesa “da família e da dignidade humana”. A parlamentar foi gentilmente convidada a ocupar assento na Mesa pelo colega Marlon Teixeira, mas preferiu manter-se afastada. Da Tribuna, revelou ter sofrido, ao longo de sua vida, abuso psicológico e até sexual e frisou: “O que me salvou foi a palavra de Jesus Cristo, não a militância. Não aceito que desvirtuem a minha fala. Luto pela dignidade humana e defendo a família. Sinto muito se a minha fala ofende”. Depois disso, Gabriela Rodart se retirou da Audiência Pública.  

Convidados

O evento seguiu com os representantes das Gerências de Diversidade Sexual e LGBTQIA+ dos governos do Estado e do Município apontando ações e avanços na área, nas duas esferas. Tanto Rogério Araújo, da Secretaria de Desenvolvimento Social de Goiás (Seds-GO), quanto Vitor Cadillac, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas de Goiânia, ressaltaram a importância de persistir na luta por reafirmação de direitos e por mais conquistas. “Primeiro, é preciso observar qual é o lugar de fala do interlocutor: homem ou mulher, cis, hetero”, ponderou Rogério, logo após o pronunciamento da vereadora Gabriela Rodart. “Aí, sim, definir se é ou não uma questão de ideologia de gênero”, acrescentou. Para ele, há que se falar em políticas públicas de Estado, permanentes, e não em políticas públicas de governo, que findam ou são esquecidas a cada nova gestão. 

Amanda Souto, da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/GO, lembrou que hoje, no País, não existe nenhuma lei que garanta proteção à população LGBTQIA+, que corresponde a 10% do total dos brasileiros. “Quase todos os direitos são conquistados por vias judiciais”, argumentou. A advogada fez um passeio pela História: “Em 1500, relações homossexuais eram vistas como sodomia e punidas com morte na fogueira, uma forma de relegar as pessoas ao completo esquecimento, transformá-las em cinzas. Em 1603, pessoas que vestiam roupas do outro gênero eram condenadas ao açoite e ao exílio; todos esses, crimes baseados em preceitos religiosos, vistos como pecado”. 

De acordo com Amanda Souto, quase nada mudou de séculos atrás para cá. “Em 2021, temos o Projeto de Lei 504, em São Paulo, proibindo que pessoas LGBTQIA+ apareçam em publicidades. A história se repete. Querem apagar a memória, fazer com que essas pessoas desapareçam. Em anos recentes tivemos, ainda, um deputado federal gay que fugiu do País por medo de morrer, assim como uma vereadora trans. Hoje, como no passado, querem no impor o exílio. Mas somos resistência”, acrescentou a presidente da Comissão de Diversidade Sexual e de Gênero da OAB/GO. 

Um dos pronunciamentos mais elogiados da tarde foi o da conselheira tutelar Roselei Galhardo. Rose – como é conhecida – enumerou as obrigações do Estado para com as crianças e adolescentes a partir do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e falou das dificuldades enfrentadas e violências sofridas por meninos e meninas LGBTQIA+, muitas vezes, dentro de suas próprias casas, culminando com a expulsão e o abandono

“Sou mãe, sou casada, sou católica, sou cristã e defendo a vida. Independentemente da minha religião ou da minha orientação sexual, eu defendo direitos. Que vida é essa que você defende? Eu defendo o ser humano”, sustentou Rose. “Deus deixa bem claro: nós somos únicos. Como posso dizer quem é normal? Somos todos iguais. Defendo a família e defendo o direito à vida. Independentemente de raça, de religião, de orientação sexual e de classe social. Existe uma diferença entre homossexualidade e promiscuidade. Um dia conseguiremos: amai-vos uns aos outros como a si mesmos”, arrematou.  

Propostas e demandas

Antes de abrir a fala aos inscritos presencialmente e por meio da plataforma Zoom, o vereador Marlon Teixeira destacou que três requerimentos já foram apresentados por ele – na polêmica sessão do dia 29 de junho -, solicitando ao prefeito Rogério Cruz ações do Executivo que contemplam a comunidade LGBTQIA+ na capital. O parlamentar do Cidadania propõe a criação de uma Casa de Acolhida (abrigo); a implantação de políticas públicas e de um programa de primeiro emprego; além da criação de um Conselho Municipal de Políticas e de Direitos da Diversidade Sexual. A vereadora Aava Santiago anunciou que incluirá, na pauta de reivindicações, a construção de uma política de fortalecimento econômico dessa população.

Titular da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, Cristina Lopes assegurou que a implantação de uma Casa de Acolhida/Abrigamento é prioridade em sua gestão. Ela disse, inclusive, que já há viagem marcada para Salvador, na Bahia, para visitar uma unidade modelo. “Também assumo o compromisso de levar presencialmente, ao prefeito, todas as pautas aqui discutidas. Contem conosco”, garantiu. 

Dentre os representantes do Movimento LGBTQIA+ e outros movimentos sociais presentes – como a União Estadual dos Estudantes (UEE) -, várias propostas foram apresentadas. Como a criação, na Câmara de Goiânia, de uma Frente Parlamentar da Diversidade Sexual, defendida pelo ativista Marco Aurélio Oxumaré; Thiago Henrique defendeu, por sua vez, que a população LGBTQIA+ seja incluída nas políticas habitacionais do governo e, também, nos orçamentos públicos – Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e Lei do Orçamento Anual (LOA). Daniel Mendes e Michele Coutinho discorreram sobre a importância, para o segmento, de um Plano Municipal e um Conselho Municipal de Direitos Humanos.

Thaís Falone, da UEE, considerou que a Câmara Municipal “tem papel fundamental na construção de uma educação emancipadora”. Ela apresentou, como propostas, um curso de capacitação destinado especificamente para servidores da Educação e a capacitação de servidores públicos e conselheiros tutelares para o atendimento de LGBTQIA+; uma política de assistência social e de saúde e acolhimento para essa população.

Pelo chat do YouTube da Câmara, durante a Audiência Pública, o ativista Léo Mendes pediu ajuda na realização da II Conferência Municipal LGBTQIA+ (a última, segundo informou, foi realizada há cinco anos) e na criação de um Comitê Municipal de Combate à Discriminação e ao Preconceito contra LGBTQIA+. “Somos 120 mil cidadãos e cidadãs em Goiânia”, apontou. Ele também falou da necessidade de ampliação da Saúde LGBTQIA+ em Goiânia: “Assim como temos dois ambulatórios para a população trans, precisamos de um ambulatório para lésbicas e um para gays, para cuidado da saúde integral”, sublinhou, sugerindo, ainda, a inclusão da população LGBTQIA+ na Política Municipal de Assistência Social, disponibilizando um CRAS e um CRES como referência para atendimento, “sem preconceito e discriminação”. 

Indignação

Priscilla de Sá, advogada, mestre em Direitos Humanos e mulher lésbica; Beth Fernandes, psicóloga, pós-graduada e ativista transexual; Cristiano Souza, produtor cultural; Fabrício Rosa, policial; o estudante Júlio, dos quadros da UNE; Leo Cassimiro; e Francisco Mendes foram outros dos participantes da Audiência Pública realizada nesta quinta-feira, 8, que se inscreveram para dar depoimentos pessoais e expressar indignação diante da violência e do preconceito diários. Cada qual com a sua história. 

“Com 15 anos, fui expulso de casa por ser gay. Nossa luta não para, é constante. Gostaria de celebrar orgulho, mas não dá”, lamentou Francisco Mendes. “A Pastoral da Juventude foi que me resgatou da autoagressão e do suicídio”, relatou Leo Cassimiro. “Somos pessoas que votam, temos o nosso valor para a sociedade, nossa condição sexual não representa nada de negativo com relação ao outro. Estamos em todos os lugares e temos a nossa força”, afirmou Cristiano Souza. “A resistência não é uma opção, é a única alternativa, porque não queremos mais sermos agredidos apenas por sermos LGBTQIA+”, ressaltou o estudante Júlio.  

“Aos seis anos, no Grupo Escolar em que estudava, perguntaram o que todos queriam ser quando crescessem. Eu disse que queria ser mulher. A partir dali, comecei a ter de negociar para não ser expulsa dos espaços que ocupava”, contou Beth Fernandes. “Ouvi, nesta Casa, que ‘homossexualismo’ não é normal; normal é homem com mulher. Segundo essas falas, eu não sou normal. Eu já fui uma criança e criada por um casal heterossexual, em uma família tradicional. Não queremos privilégios, queremos o nosso direito de existir; de sermos respeitados. Queremos acolhimento por parte do Estado. Temos e somos famílias. Sofremos violência por sermos quem somos. Lembrem-se que essa cidade também é nossa”, argumentou Priscilla de Sá. 

Fabrício Rosa foi mais incisivo ao usar, presencialmente, o microfone. “Vocês, nesta Casa, são responsáveis por cada criança que sofre bullying e por cada travesti que é queimada ou morta. É a linguagem que autoriza a violência contra mim quando me chama de ‘viadinho’. O Estado tem de ser laico: para a umbanda, para quem não tem crença. Nós pagamos o seu salário. Nós pagamos, também, tudo o que é feito nessa cidade. Vivemos de esperança!”

Texto da assessoria de comunicação do vereador Marlon Teixeira

Fonte: https://www.goiania.go.leg.br/sala-de-imprensa/noticias/direitos-lgbtqia-audiencia-e-marcada-por-uniao-de-vereadores-e-movimento-em-busca-de-acoes-contra-preconceito-e-construcao-de-politicas-publicas-para-o-segmento

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WEBINAR OAB-GO – O papel das instituições no combate à LGBTIfobia e a importância da representatividade LGBTI+ nelas

30/06/2021 WEBINAR OAB-GO

O papel das instituições no combate à LGBTIfobia e a importância da representatividade LGBTI+ nelas

https://www.oabgo.org.br/esa/eventos/online/30-06-ii-webinar-da-comissao-de-diversidade-sexual-e-de-genero-da-oab-go/

II WEBINAR DA COMISSÃO DE DIVERSIDADE SEXUAL E DE GÊNERO DA OAB-GO

DATA: 30/06

HORÁRIO: 18H ÀS 22H

TRANSMISSÃO ONLINE E AO VIVO

CARGA HORÁRIA: 4 HORAS/AULA

Programação: 

Abertura

18h. Fábio Esteves – Graduado em Direito pela Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), mestre em Direito pela Universidade de Brasília (UNB), doutorando em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), especializando em Direito Constitucional pela ABDConst, juiz de direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), atualmente exercendo o cargo de juiz instrutor do Gabinete do Ministro Edson Fachin, no Supremo Tribunal Federal (STF), professor de Direito Constitucional e de Direito Administrativo da Escola da Magistratura do Distrito Federal, vice-presidente licenciado da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), co-fundador do Encontro Nacional de Juízes e Juízas Negros – ENAJUN  e do Fórum Nacional de Juízas e Juízes contra o Racismo e Todas as Formas de Discriminação – FONAJURD, Presidente da Comissão Multidisciplinar de Inclusão do TJDFT, foi Presidente da Associação dos Magistrados do Distrito Federal (AMAGIS-DF), nos biênios de 2016-2018 e 2018-2020.

18h30. Michely Coutinho  – Advogada, educadora, radialista e ativista em direitos humanos. Diretora de Diversidade do SINT-IFESgo, e de Mulheres da CTB Goiás, e Conselheira do Conselho Municipal da Mulher e do Centro Popular da Mulher/UBM. Integrante do Comitê Estadual de Enfrentamento à LGBTfobia (COMEELG-GO/SEDS) e do Comitê Goiano de Direitos Humanos Dom Tomás Balduíno, da Executiva da Frente LGBTI+ Goiás, e coordenadora municipal da Aliança Nacional LGBTI+.

19h. Cláudia Mac Dowell – Graduada em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e em Direito pela USP. Promotora de Justiça no Estado de São Paulo desde 1992, com atuação exclusiva em cargos criminais desde 1996, sendo 17 anos no Tribunal do Júri. Atualmente Promotora na 5a Promotoria de Justiça Criminal da  Capital. Membra do Movimento Nacional de Mulheres do Ministério Público e do Grupo de Trabalho de Igualdade de Gênero, Direitos LGBT e Estado Laico da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais do CNMP

19h30. Alessandra Ramos – é ativista de direitos humanos, tradutora e presidente do instituto transformar shelida Ayana

20h. Vitor Cadilac – atua como Superintendente LGBTI+ da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Políticas Afirmativas, além de ser comunicador e produtor cultural. Também é articulador das redes Fora do Eixo e Mídia NINJA. Em seu currículo, figuram a coordenação de algumas campanhas políticas, a articulação de encontros de ativismo, além de ações conjuntas com diversos agentes e instituições culturais por todo país, tais como o Quarentena Projetada (Instituto Moreira Salles e Mídia NINJA), a Conferência Popular de Cultura e o Festival Vaca Amarela, que já esteve na programação oficial das Olimpíadas no Brasil.

20h30. Joel Filho – Intersexo 47 XXY, negro, cisgênero e demissexual. Bioadvogado (Advogado Especialista em Direito Aplicado aos Serviços de Saúde), Pesquisador Rekhético de Africologia e Estudos Ameríndios do Laboratório Geru Maa da UFRJ na linha principal de pesquisa sobre KEMET (Antigo Egito) e linha secundária de pesquisa sobre Justiça Restaurativa dentro da concepção Maatica, Diretor Jurídico na área de Biodireito, Direitos Humanos e Direito de Saúde dos bebês nascidos intersexo e suas famílias endosexo e intersexo, intersexo PCDs e questões biojurídicas  étnico-raciais das  pessoas nascidas intersexo na ABRAI (Associação Brasileira de Intersexos), ministra aulas acessíveis e gratuitas à toda população no Instituto Black School sobre Abolicionismo Penal, integrante veterano da Extensão Universitária de Relações Étnico-Raciais Sankofa na UNISUAM, integrante da ANAN (Associação Nacional da Advocacia Negra), militante antirracista e da intersexualidade negra (LGBTQIA+), possui trabalhos  publicados, é Poerídico (Poeta Jurídico) e recentemente está como mentorado da OAB/RJ na área de Direito Militar Disciplinar.

21h. Fábio Contarato – Nascido em Nova Venécia (ES), é senador pelo Espírito Santo (1º mandato eletivo em sua carreira, tendo recebido 1.117.036 votos nas eleições de 2018). Foi Corregedor-Geral do Estado, na Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont/ES); Diretor Geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran/ES); e delegado de Delitos de Trânsito por mais de dez anos. É graduado em Direito pela Universidade Vila Velha (UVV); pós-graduado em Direito Penal e Processual Penal pelo Centro Universitário do Espírito Santo (Unesc) e especialista em Impactos da Violência na Escola pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Professor universitário, atua como palestrante e ativista humanitário. Representante do Senado Federal no Conselho Nacional dos Direitos Humanos.

21h30. Maria Berenice Dias – Advogada, vice Presidente  Nacional do Ibdfam. Ex Presidente da Comissão da Diversidade Sexual e gênero do Conselho Federal da OAB

Investimento: GRATUITO

IMPORTANTE:

– As inscrições serão encerradas 30 minutos antes do início da aula/evento ou caso as vagas se esgotem (o que acontecer primeiro) para que todos os inscritos recebam o link antes do início da aula/evento;

– O link da acesso à aula/evento será disponibilizado por e-mail, no dia da aula/evento;

– As listas de presença serão enviadas durante a realização da aula/evento para que os participantes preencham. A presença deve ser registrada durante a aula/evento. Quando a aula for no zoom, será enviada no chat, e quando for no youtube será postada na legenda da transmissão;

– O certificado é disponibilizado somente para quem assistir ao vivo, quem assistir gravado não terá direito à emissão;

Realização: OAB/GO, ESA/GO, Comissão da Diversidade Sexual e de Gênero da OAB-GO