Publicado em Coaching e Desenvolvimento

Vai palestrar? Aqui vão 16 dicas (que funcionam) para você arrasar no palco

Por Marc Tawil

Entre janeiro de 2018 e a última sexta-feira, quando falei a 1.200 especialistas em Cirurgia Bariátrica reunidos em Curitiba, no Paraná, subi em 56 palcos, em sete Estados do Brasil, e em Tel Aviv, Israel.

Não que eu nunca tivesse palestrado antes, apenas não o fazia profissionalmente.

E justamente por não enxergar conferências como atividade profissional, busquei um caminho autêntico e natural para que eu pudesse me destacar em um mercado altamente competitivo, canibalizado até, e pouco regulado.

No limite, um palestrante iniciante precisa apenas de um bom tema para vingar, combinado com inteligência emocional, disciplina, repertório (não necessariamente técnico) e algum carisma.

Ou seja: investindo pouco, ou muito pouco, você compartilha conhecimento, conhece novas cidades e países, cria conexões, amplia seu leque de oportunidades de trabalho e ainda é remunerado por isso.

Não é mágico?

Não. A receita leva junto insegurança, crenças limitantes, nervosismo, angústia e experiências esquecíveis, como ingressos que não vendem, plateias semivazias e equipamentos que param de funcionar no meio da apresentação.

Acrescente ainda à escada do palestrante rumo ao sucesso as validações excessivas, imprevistos e feedbacks – boa parte deles, espinhosos.

Sim, nem todo mundo pode viver delas. Mas à medida que um profissional ganha representatividade em seu mercado, em dado momento, será atraído ou simplesmente empurrado para o palco.

Aqui estão 16 passos que dou ao palestrar. E costuma dar muito certo:

1. Miro o coração

Subir ao palco sem estar ciente daquilo que você quer é dar um tiro n’água. Por isso, o primeiro passo da minha jornada visa o coração de quem irá me assistir: como aquilo que tenho a oferecer vai tocar quem está na plateia?

2. Procuro saber com quem estarei falando

Qual é o tipo de perfil vai compor a minha plateia? Quais as idades dos meus espectadores? Quais suas profissões? Seus gostos? O que esperam do meu talk? Demonstrar que você se empenha em conhecer seu público cria conexões emocionais relevantes e o deixa atento. Soa genuíno.

3. Falo a língua do meu público

Apenas conhecer a plateia não basta. Especialmente em eventos de nicho, utilizar termos, expressões e trazer exemplos específicos faz diferença para quem assiste. Não se fala com estudantes do Ensino Médio da mesma forma que se aborda advogados ou médicos, por exemplo. E vice-versa.

4. Começo e termino surpreendendo

Palestras são mais lembradas pelas histórias, enredos e a maneira de contá-las do que por tabelas e gráficos. Em meus talks, relato experiências pessoais, de preferência divertidas. E concluo com uma reflexão aberta para que espectador possa elaborar sozinho, a sua maneira, o fim que achar mais pertinente.

5. Ajo como um esteta

Do português exemplar às fotos incríveis, passando por gráficos e vídeos, e a roupa que visto, tudo precisa estar impecável. Tenho a excelência como valor prioritário, não como competência. E isso me gera resultados palpáveis. Sou lembrado pela qualidade e, para quem contrata, é uma preocupação a menos.

6. Me informo para bem informar

Números e visões exclusivas e os dados mais atualizados possíveis – de preferência daquele dia ou semana. Citações, apenas com crédito à fonte e não a quem as reproduziu. Palestras são agregadores de conhecimento, e não CRTL C + CRTL V do Google. Seja lembrado por trazer o novo!

7. Pratico, pratico, pratico

Esse é um ponto-chave para qualquer palestra de sucesso. Não adiantam o bom conteúdo, a estética, o carisma e um tema incrível, se você demonstra despreparo na apresentação e falta de congruência entre discurso e prática. Um speaker que evidencia sua pouca preparação fecha portas para sempre.

8. Respiro fundo

A cada palestra, esteja eu em uma sala de 30 m² ou falando a uma plateia de 1.500 pessoas, inicio meu ritual de concentração sentado, com as mãos no joelho e respirando profundamente, de olhos bem fechados. Respirar por 1 minuto me acalma, me traz ao momento presente e diminui a minha ansiedade.

9. Visualizo o sucesso

Essa eu aprendi com atletas de alta performance. Eles são mestres em visualizar seus feitos, chegadas e pódios. Construo uma história com final incrível e a vivencio. Me imagino no palco, enérgico, sorridente, seguro e cativando a audiência. Mentalizo o início, o durante, o fim e os aplausos. Funciona!

10. Valorizo o tempo do outro

Se todos nós temos 24 horas no dia, as minhas não devem valer mais do que as dos outros, certo? Pratico meu talk até me certificar de que ele não ultrapassa o tempo combinado. Primeiro, porque a plateia não merece. Depois, porque posso invadir o tempo de apresentação de um outro palestrante.

11. Eu como leve

Nunca tive dor de barriga no palco, ainda bem, mas um dia pode acontecer. Sou humano. Falar para 10, 20, 100 ou 1.000 pessoas dá no mesmo, quando se tem responsabilidade e compromisso com o conteúdo. Bebo água (sem exagero para não passar aperto) e evito comer derivados de leite, como queijos e achocolatados. O mesmo acontece com pão, arroz e massa, que pesam no estômago. Álcool, ainda que seja uma taça de vinho, jamais.

12. Cuido da voz

Em uma palestra, uma voz consistente e crível prende a atenção do espectador. Uma voz falha (não que não possa acontecer), ou que evidencie esforço por parte do palestrante, corre o risco de angustiar a plateia e desviar a foco do conteúdo. Tomo água regularmente, faço exercícios de voz ao longo do dia e antes de subir ao palco, como maçãs, evito derivados de leite e gelados em geral. Acima de tudo, preservo minha voz na véspera do evento.

13. Me mexo

Quem já me viu no palco sabe que ando bastante. Não só porque não consigo ficar parado, mas porque sei que apresentações e paradas monocórdicas são lembradas pela plateia como excelentes soníferos. E quando uma fama dessas se espalha, os convites caem igualmente em sono profundo.

14. Sorrio e interajo

Interagir com a plateia ajuda a mantê-la atenta e traz insights poderosos para a condução do talk. Faço interações curtas e que tenham a ver com o slide; eu não crio diálogos que possam desviar do roteiro. Sorrisos sinceros desarmam espíritos, criam pontes e ratificam a minha felicidade em estar ali.

15. Demonstro ser humano e vulnerável

O palco que encanta pode também ser uma enorme armadilha do ego. Ser empático, humano e vulnerável me distancia desse perigo e cria vínculos com a plateia. Ao humanizar o meu discurso, acolho os presentes e deixo a relação mais equânime. O resultado? Maior interesse e identificação.

16. Dou dicas aplicáveis

Palestras motivacionais e inspiracionais são bem-vindas, só que para a maioria vale aquilo que pode ser aplicado – ou seja, ações que sejam tomadas imediatamente e que farão diferença no dia a dia. Cada vez que alguém reproduz aquilo que você sugeriu, te mantém vivo e presente em sua vida.

Palestra de sucesso é aquela que encanta plateia, o organizador (ou contratante) e o próprio palestrante. Se um dos três não aprendeu algo ou não gostou do que foi apresentado, a missão falhou.

Esteja você diante de 5 ou 5.000 pessoas, trabalhe para exceder expectativas. E não se esqueça: o que justificou o seu convite foi aquilo que te torna único, portanto, divirta-se.

Te vejo no palco!

Texto publicado originalmente na minha coluna semanal ‘Futuro do Trabalho’, toda terça, em Época Negócios

***

Marc Tawil

Empreendedor, comunicador, escritor, palestrante e filantropo. Nº 1 Top Voices LinkedIn. Dirijo a Tawil Comunicação, agência de comunicação que fundei em 2010, em São Paulo, e a MTWL, um hub de cursos InCompany, palestras e conteúdo premium, junto com a Elisa Tawil. Comento o #Cafedas6SP, ao lado de Mariana Godoy, pelos 94,1 FM da Rádio Globo e assino a coluna semanal Futuro do Trabalho, em Época Negócios. Atuo ainda como SAP Business Influencer, coordenador na Câmara de Comércio França-Brasil, conselheiro do Adus | Instituto de Reintegração do Refugiado, multiplicador B pelo Sistema B, embaixador pela Igualdade Racial pelo Instituto Identidades do Brasil, embaixador da ONG Gaia + e embaixador do Portal Transformação Digital.


Vai palestrar? Aqui vão 16 dicas (que funcionam) para você arrasar no palco
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Como despertar a espiritualidade nos outros?

Como despertar a espiritualidade nos outros?

 

Imagine o seguinte cenário.

Você e uns 10 amigos foram viajar juntos. Alugaram uma casa.

Chegaram, passaram o dia juntos e foram dormir. Cada um no seu quarto.

No dia seguinte, algumas pessoas acordaram bem cedo. Outras ainda estão dormindo.

Você acha que essas pessoas que acordaram mais cedo são mais evoluídas que os que ainda estão dormindo?

Elas apenas acordaram mais cedo. Talvez tenham acordado mais cedo porque têm o hábito de acordar cedo. Ou porque estavam descansadas. Ou porque dormiram muito mal. Ou porque o quarto em que estavam tinha muita claridade.

Elas não são melhores que ninguém.

Agora o que aconteceria se elas tentassem acordar os demais?

Eles iriam se irritar, iriam se incomodar, iriam brigar, não iriam descansar o tempo que precisavam.

E eles não são menos evoluídos. Você não sabe o que se passou com eles. Talvez tenham tido uma semana difícil. Podem estar com o sono acumulado. Podem ter ido dormir bem mais tarde que os que acordaram cedo.

O que os que acordaram mais cedo devem fazer entao?

Apenas seguir seu dia.

Começam a fazer o café da manhã, limpar a casa, preparar a programação do dia. Começar a organizar o que querem fazer.

Podem pensar nos outros e deixar o café da manhã pronto para todo mundo e já pensar nas possibilidades do dia para consultar os demais quando acordarem.

Assim, quando o outro acordar, vai se sentir cuidado. Vai sentir que está entre amigos. Vai sentir que aquela viagem é a viagem que, de fato, gostaria de fazer. Vai sentir que está no lugar certo.

A vida desses que acordaram mais tarde pode ficar um pouco mais fácil se aqueles que acordaram mais cedo prepararem o cenário…

E é assim que eu vejo o despertar da espiritualidade.

Talvez você sofra por enxergar um mundo que as pessoas ao seu redor não enxerguem.

Talvez você queira muito que as pessoas próximas de você vivam a mesma coisa que você vive.

Talvez você queira que elas se abram pra algo maior.

Mas elas ainda estão dormindo.

E se você tentar acordá-las, vocês vão brigar.

Deixe essas pessoas onde elas estão.

Continue seu trabalho sem querer trazer ninguém junto. Faça a sua parte e cuide da casa. Cuide do seu entorno e do que lhe é possível fazer.

E lembre-se de que você não é mais evoluído que ninguém. Estamos todos no mesmo jogo. Apenas acordamos mais cedo…

E daqui a pouco, todo mundo vai acordar. Sem exceção.

Quando o sol começa a bater forte, a luz entra nos quartos e não tem como continuar dormindo.

E é isso que está acontecendo agora.

A luz vem vindo com força. Logo logo todo mundo acorda. E quando eles acordarem, a gente já vai ter feito um monte de coisa pra facilitar a vida deles e nos divertirmos juntos nessa viagem…

 

Fonte: http://gustavotanaka.com.br/como-despertar-a-espiritualidade-nos-outros/

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Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

Esta é a Ana.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

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O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível a todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expõem mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

Fonte do texto em inglês: http://www.waitbutwhy.com/2013/09/why-generation-y-yuppies-are-unhappy.html

Para curtir a página deles no Facebook, clique AQUI.

Fonte em português: http://qga.com.br/comportamento/jovem/2013/09/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes

Fonte: Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes