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#BlogFem entrevista candidatas feministas: Michely Coutinho

Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.

Michely Coutinho é candidata a vereadora pelo PT na cidade de Goiânia/GO.

Coligação: PT/PCdoB/PEN/PPL. Pagina do Facebook: Michely Coutinho

1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?

Sou advogada, educadora, radialista, servidora técnica da UFG e ativista social. Atualmente ocupo as funções de diretora de Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade do SINT-IFESgo (Sindicato dos técnico-administrativos da UFG, IFG, IF Goiano e Ebserh), de Responsabilidade Social da FAJE-Goiás (Federação das Associações de Jovens Empreendedores de Goiás), e da Associação Mulheres na Comunicação – AMARC Brasil, onde integro a produção dos programas “Palavra de Mulher”, Rádio Difusora e do “Voz da Mulher”, Rádio Universitária. Iniciei minha trajetória de ativismo enquanto diretora do CAXIM – Centro Acadêmico Onze de Maio, da Faculdade de Direito da UFG (2000, 2002 e 2003), quando também fui coordenadora-fundadora do NAJUP-UFG / Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (2003-2004), onde comecei na luta pelos direitos humanos.

Minha atuação no mundo do trabalho, iniciou-se ainda na faculdade, quando estagiária do Tribunal Regional do Trabalho TRT-18ª Região (2004), pesquisadora PIBIC/CNPq (2003-2004) sobre sindicalismo e monitora da disciplina de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da UFG (2003). Em 2005 tomei posse no Banco do Brasil, tendo sido assistente de negócios empresariais até o ano de 2013. Enquanto bancária, tive militância sindical, co-fundando o Coletivo Bancários Goiás | NÓS Bancários – Núcleo de Oposição Sindical. Em paralelo, minha luta pelos direitos humanos assumiu a pauta feminista e LGBT, tendo co-fundado o Coletivo Colcha de Retalhos (2005-2015). Em 2013 tomei posse como servidora técnica da UFG e, além da militância sindical na UFG, integrei ações e programas importantes de inclusão e ações afirmativas, como a comissão que regulamentou o nome social na UFG e a criação da CAAF – Coordenadoria de Ações Afirmativas.

Enquanto feminista, desde o movimento estudantil pautamos a igualdade entre mulheres e homens, o protagonismo da mulher na política, a autonomia sobre suas decisões e sobre seu próprio corpo. E trabalhamos muito. Marchas do Março Mulher, Marcha das Vadias, seminários, cursos de formação e capacitação, conferências, rodas de conversa… Sempre estivemos na luta! Sempre estivemos presente.

2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?

Dos vários que podemos elencar como trabalho, educação, saúde, destaco a violência contra a mulher. Não é possível que em pleno ano de 2016 ainda tenhamos números epidêmicos de assassinatos e estupros tal qual no Brasil. Números que ainda hoje encontram “justificativa” em uma roupa, por exemplo. O Brasil precisa enfrentar a cultura do estupro e superar agentes políticos que não tenham compromisso com essa pauta. Em uma sociedade em que a violência de gênero não foi resolvida, quer dizer que o marco civilizatório não foi consolidado. Não podemos abrir mão da vida e integridade de nossas mulheres.

3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?

Nossa trajetória demonstra compromisso com várias pautas feministas, tal qual o programa mínimo da Plataforma “Vote numa Feminista”. E, em virtude de nossa atuação, destaco três focos: trabalho, educação e combate à violência. É fundamental garantirmos políticas públicas que empoderem as mulheres e lhes garantam autonomia financeira e equidade no mercado de trabalho, com igualdade de oportunidades e salários. Acesso a programas de microcrédito e fomento à economia solidária e criativa são estratégias importantes que o Poder Público pode incentivar.

A educação tem sido uma militância orgânica ao lado de coletivos e da comunidade acadêmica. Não podemos abrir mão de uma educação que paute gênero e diversidade, que se paute pela crítica e pela tolerância. Estamos acompanhando desde a tramitação dos planos de educação, o municipal e o estadual, e agora a questão da censura e mordaça aos professores nas escolas. Em Goiás, além do movimento nacional de praticamente criminalizar o professor, vilanizando e subestimando sua atuação, há ameaças de privatização com OS´s e a crescente militarização do ensino. Como terceiro ponto, os índices de violência contra a mulher são alarmantes em Goiânia. Continuamos nos primeiros lugares do ranking nacional, e é preciso de mais políticas públicas que garantam a vida e a integridade de nossas mulheres.

4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?

Infelizmente, a grande maioria dos partidos ainda encara uma candidatura feminina como “cota”. Tenho dialogado com mulheres do meu partido e de outros e a situação difere muito pouco entre as legendas. O sistema político brasileiro é machista. Se autodeclarando feminista, os narizes até dos correligionários torcem muito mais, ou ignoram mais. Enfrentamos uma falta de vontade de renovação.

Particularmente vemos muito mais esforço para reeleger quem já está lá (e que não pautou a questão de gênero) ou os “queridinhos” do partido, muitas vezes o filho de mandatários, como é o caso de Goiânia, pessoas sem lastro na vida política e que reproduzem vícios de fisiologismo e “familiocracia”. Queria poder dizer que partidos de esquerda são diferentes, mas nem sempre. As diferenças até existem, mas no fundo a conclusão é a mesma: o sistema político brasileiro é machista e precisamos avançar muito para superar nossa subrepresentação. Mas não deixaremos de resistir e exigir representatividade e prioridade.

Ver um Congresso brasileiro formado por homens, brancos e supostamente héteros nos dá a demonstração da política brasileira hoje onde a população não se vê representada, e uma pauta conservadora onde a prioridade não é o compromisso com mulheres, LGBTs e negrxs. Ou seja, a grande maioria da população não tem prioridade em seus direitos e conquistas. Mas que sejamos a mudança que queremos.

Autor: Blogueiras Feministas

Somos várias, com diferentes experiências de vida. Somos feministas. A gente continua essa história do feminismo, nas ruas e na rede.

 

Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2016/09/candidatas-feministas-michely-coutinho/

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Autor:

Sou servidora técnica da UFG, educadora, radialista e empreendedora social. Minha missão é construir meu caminho feliz, simples e ético, e dar minha contribuição por um mundo mais acolhedor e justo a partir da inovação, trabalho e humanidades. "Paretando", 80% de humanas e 20% encantada com os números, essa abstração inquietante. Mais em michelycoutinho.com.br.

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