Publicado em Empreendedorismo, Michely Coutinho, Na mídia

Combate ao assédio. Empresas de mulheres e para mulheres fazem sucesso

A insegurança vivida pelo público feminino é ponto de partida para criação de negócios que oferecem diversos serviços

Por Isabella Cavalcante

Você, sendo mulher, abriria a porta de casa para receber um estranho sozinha? Na prática, é isso que ocorre muitas vezes, quando se pede uma pizza, a entrega do gás ou contrata-se o serviço de um faz-tudo.

Ana Luisa Monteiro, de 28 anos, teve uma experiência ruim ao pedir um botijão de gás. O homem que fez o delivery a assediou, deixando-a vulnerável e com medo dentro da própria casa. Depois desse episódio, e diante do machismo que sofria no mercado de trabalho como produtora audiovisual, ela se juntou à amiga, a arquiteta Katherine Pavloski, de 29 anos, para criar o próprio negócio.

Motivadas pela constante atmosfera de insegurança, Ana e Katherine abriram uma empresa de serviços diversos oferecidos por mulheres e para mulheres, a Mana Manutenção. Trata-se de um nicho em plena expansão.

Com slogan “Mana – mulher conserta para mulher” a ideia surgiu em 2015. A empresa de manutenção residencial faz reparos e instalações no geral. “Antes de abrir a Mana tive chefes muito machistas e dentro da Mana sofremos assédio de vendedores de lojas”, conta Ana Luisa.

Além do conforto e da segurança das clientes, o modelo de negócio baseia-se na sororidade. “União e solidariedade entre mulheres, com companheirismo e empoderamento mútuo”: essa é a definição do termo para a especialista em direito do trabalho, empreendedora social e diretora de relações étnico-raciais, gênero e diversidade do SINT-IFESgo (Sindicato dos técnico-administrativos da UFG, IFG e IF Goiano) Michely Coutinho.

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As empresárias Ana Luisa e Katherine participaram do programa sobre negócios “Shark Thank Brasil” .

Michely acredita que existe a necessidade e a demanda dessa especificidade de mercado. “Os nichos permitem que as empresas atendam melhor seus clientes. É a chamada discriminação positiva, é uma forma de garantir equidade às parcelas da população que historicamente foram marginalizadas, subestimadas ou tornadas invisíveis”.

Ana Luisa relembra dois casos de machismo que sofreu mesmo trabalhando em uma empresa exclusivamente feminina. “O marido de uma cliente uma vez entrou comigo no lavabo, disse que eu não sabia fazer aquele trabalho e que eu estava tentando roubar a esposa dele”, relata.

Ana também fala da vez em que sua sócia, Katherine, foi desrespeitada quando tentou comprar ferramentas. “O dono da loja não quis vender para ela e disse: ‘só te vendo se você me mostrar que sabe segurar’ “.

O serviço é sucesso com o público feminino. “É comum escutarmos que somos pontuais, mais organizadas e limpas, fora o conforto de não ter que se preocupar com assédios”, diz Ana Luisa. Atualmente, a empresa funciona apenas em São Paulo, mas pretende expandir o serviço em breve para outras regiões.

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A criadora e CEO do LadyDriver, Gabriela Côrrea.