Publicado em Opinião

14 de dezembro de 2020: dia duplamente histórico

15/12/2020

Registremos, com o otimismo prudente deste ano singular, a data 14 de dezembro de 2020, dia duplamente histórico! Pela manhã, inauguramos o novo prédio do Hospital das Clínicas (HC-UFG), um esforço vigoroso de diversas gestões do governo federal e de reitorias: lá em cima, FHC, Lula e Dilma (e os recentes com muitos asteriscos); por aqui, Milca Severino, Orlando Amaral e Edward Madureira, em sua terceira gestão. Foram muitas obras, canetas e articulações, nas três esferas do Poder, para que a UFG conseguisse alcançar mais essa conquista para a sociedade goiana. Com orgulho de ser UFG, com orgulho de ser ciência, nós da comunidade universitária celebramos em grande estilo o marco de 60 anos de universidade, colocando o conhecimento a serviço da vida (perdão ao uso do antigo slogan da PUC Goiás, mas ele se faz assertivo para 2020!). Por nós e pela saúde pública!

Na OAB, mais alegria no dia! Aprovada a paridade de gênero (50%) e cotas raciais (30%) para a direção da entidade. Um esforço de advogadas e advogados de todo o país, ladeados pelo movimento social, feminista e negro, pelo que vamos conseguindo concretizar a equidade racial e de gênero. As decisões do Conselho Pleno passam a vigorar nas eleições de 2021, contemplando as chapas do Conselho Federal, seccionais, subseções e Caixas de Assistência, e, no caso das cotas raciais, terá validade por 10 eleições (30 anos). Ainda faltam muitos passos, uma cultura patriarcal e racista não se muda em um dia, mas com a conquista de mentes e corações na luta diária. E a gente segue!, tendo em vista os próximos passos: alterar o nome da OAB para Ordem da Advocacia do Brasil, e eleger uma mulher presidente da OAB-Goiás.

A mobilização histórica foi nacional, e Goiás se fez presente, pelo que quero destacar alguns nomes da advocacia goiana – pedindo desculpa pela limitação de espaço em não poder citar outros igualmente importantes: Valéria Pelá (coordenadora-fundadora do Coletivo Advogadas do Brasil), Anna Raquel Gomes, Chyntia Barcellos – companheiras de advocacia e de movimento social por direitos civis e humanos, e Valentina Jungmann, cuja proposta foi avalizada pelo relator federal, e que muito atuou por um dos projetos por equidade de gênero na OAB – “Projeto Valentina”, saudosa professora de processo civil da Vetusta da UFG.

Eis uma data para celebrar conquistas em meio à resistência! Como nos incentiva Frei Betto, “Guardemos o pessimismo para dias melhores”, e saudemos as vitórias das lutas sociais por mais equidade e justiça social. Seguimos!