Publicado em Educação, Opinião

EDUCAÇÃO: ‘Há uma crise de atenção’ (Zygmunt Bauman)

Para pensador polonês Zygmunt Bauman, internet dificulta a lida diária com a realidade

Em O Globo
por BRUNO ALFANO*
12/09/15 – 19h16 | Atualizado: 12/09/15 – 19h17

Uma busca no Google com os termos “O que é modernidade líquida?” rende 187 mil resultados em 0,34 segundo. São, todos eles, “fragmentos de conhecimento”, na visão do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, que discursou neste sábado para um auditório lotado na Escola Sesc de Ensino Médio durante o encontro internacional Educação 360, realizado pelos jornais O GLOBO e “Extra” em parceria com a prefeitura do Rio e o Sesc, com apoio da TV Globo e do Canal Futura. O filósofo defende que “não vamos nos livrar da realidade” e que “o problema é como utilizar”.

— A educação é vítima da modernidade líquida, que é um conceito meu. O pensamento está sendo influenciado pela tecnologia. Há uma crise de atenção, por exemplo. Concentrar-se e se dedicar por um longo tempo é uma questão muito importante. Somos cada vez menos capazes de fazer isso da forma correta — disse o pensador. — Isso se aplica aos jovens, em grande parte. Os professores reclamam porque eles não conseguem lidar com isso. Até mesmo um artigo que você peça para a próxima aula eles não conseguem ler. Buscam citações, passagens, pedaços.

Como o próprio Bauman mencionou, a modernidade líquida — definida nos resultados do Google como a época em que vivemos, caracterizada por “volatilidade” , “incerteza” e “insegurança” — norteou as obras do filósofo; ele escreveu cerca de 30 livros apenas em torno dessa maneira de enxergar a contemporaneidade.

— Não há como contestar que a internet nos trouxe grandes vantagens. A facilidade de acesso à informação, a facilidade com que podemos ignorar as distâncias… Lembro-me de que, quando era jovem, passava muito tempo na biblioteca tentando ler cem livros para encontrar um pedacinho de informação de que precisava. Agora, basta pedir para o Google. Em décimos de segundo ele dá milhares de respostas. Um problema foi eliminado: nós não precisamos passar horas na biblioteca. Mas há um novo problema. Como vou compreender essas milhares de respostas? — questionou Bauman, logo recorrendo à Grécia Antiga para para continuar. — Só agora, idoso, consegui entender Sócrates: “Só sei que nada sei”.

Há ainda, na visão de Bauman, outras crises que chegam com a internet e precisam ser superadas. O filósofo defende que vivemos com cada vez menos paciência, pela quantidade de informação que recebemos ao mesmo tempo. E, quando não temos isso, o resultado é a irritação.

— Se demoramos mais de um minuto para acessar a internet quando ligamos o computador, ficamos furiosos. Um minuto só! Nosso limiar de paciência diminuiu. As informações mais bem-sucedidas, que têm mais probabilidade de serem consumidas, são apenas pedaços — diz o polonês. — Outra coisa é a persistência. Conseguir algo contém em si um número de fracassos que faz com que você perca tempo e tenha que recomeçar do zero. E isso é muito complicado. Não é fácil manter essa persistência nesse ambiente com tanto ruído e tantas informações que fluem ao mesmo tempo de todos os lados.

Todo esse novo cenário, explicou o pensador à plateia de educadores, desafia e transforma a posição secular do docente. Para Bauman, “não há como voltar à situação em que o professor é o único conhecedor, a única fonte, o único guia”. E dá caminhos:

— Não há como conceber a sociedade do futuro sem tecnologia. Então, se não pode vencê-la, una-se a ela. Tente contrabalancear o impacto negativo, como a crise da atenção, da persistência e de paciência. É preciso ter determinadas qualidades se você deseja construir conhecimento e não só agregá-lo: paciência, atenção e a habilidade de ocupar esse local estável, sólido, no mundo que está em constante movimento. É preciso trabalhar a capacidade de se manter focado.

Educação desigual

Hoje, de acordo com o filósofo, a educação reproduz privilégios em vez de aperfeiçoar a sociedade. Ele lembra que, nos EUA, 70% dos alunos na universidade vêm das classes mais altas, enquanto só 3% são das camadas de renda mais baixa. Segundo Bauman, essa é “uma forma de reafirmar a desigualdade social”, tema do livro “A riqueza de poucos favorece a todos nós?”, o mais recente lançamento (no mês passado) do escritor no Brasil.

— Uma das tarefas da educação é conferir a todas as pessoas que tenham talento a possibilidade de adquirir conhecimento para que isso acabe tendo um uso criativo para a sociedade. Mas esse objetivo não está sendo perseguido em muitos lugares. Na Grã-Bretanha, os preços, em vez de diminuírem para as pessoas com menos dinheiro, vão subindo. E cada vez menos pais têm a possibilidade de economizar a quantia necessária para seus filhos cursarem a universidade.

O problema, segundo Bauman, é que a educação está pressionada pela política e pelos interesses corporativos. E isso, explica ele, se reflete na mente do estudante. O polonês critica o fato de os alunos escolherem a área de estudos baseados “no fato de se vão conseguir emprego ou não”.

— Se você quer conhecimentos especializados, que são as condições para um bom emprego, precisa estudar quatro ou cinco anos, e isso requer muito esforço. Mas, se você está sendo guiado pelo atual estado de coisas, tudo vai mudar nesse tempo de estudo. E você vai perceber que não vai conseguir encontrar um uso rentável para o tipo de qualificação e habilidade que adquiriu nesses anos de trabalho árduo na faculdade — argumenta.

Mesmo após toda essa lista de desafios, a mensagem que o dono de uma das mais influentes mentes no mundo deixou para o auditório na noite de ontem foi de pura esperança:

— Educar, senhoras e senhores, é fazer um investimento nos próximos cem anos.

Fonte: http://m.oglobo.globo.com/sociedade/educacao/ha-uma-crise-de-atencao-17476629

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Movimentos 2014

2014 ano de eleições e Copa!; sem deixar para trás toda a efervecência dos movimentos que permeiam a sociedade diariamente. O intervalo entre hoje e o último post se deu, sobretudo, em função da participação ativa na greve dos técnico-administrativos das universidades federais, com atividades no CLG – Comando Local de Greve, como também no CNG – Comando Nacional de Greve, no qual estive em Brasília por duas oportunidades. Sem contar as atividades profissionais ordinárias e extra-ordinárias e os estudos contínuos.

Mas estou esperançosa que teremos excelentes e frutíferos debates! Com tolerância à diversidade de ideias e amores, com respeito e cuidado, será um ano fundamental na construção de nossa democracia!

democracia

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SOBRE O QUE EU AINDA INSISTO EM LER…

A direita brasileira é mesmo indecente! Essa mesma que acabei de ouvir num restaurante japonês da T-63 “Ai, brasileiro acha que ir em uma praia do Nordeste é uma viagem…”, introdução de peripécias da estúpida elite goianiense em Buenos Aires e Europa.

Eu nem sei porque eu ainda abro uma Veja, azar o meu!, mas acho importante (e infartante) ler o meritocrático e lunático Gustavo Ioschpe, guru do secretário de educação goiano Thiago Peixoto (que de educação não entende nada!).

Pois bem, olha só como a direita, que só pensa em lucro$$$, se contradiz: “Não há correlação entre o salário dos professores de um sistema de educação e o aprendizado dos alunos”, excluindo dos fatores de êxito a satisfação profissional. Mas o lastimável e raso argumento é a comparação com outros países, mas não dos professores, mas de todas as outras profissões como médicos e advogados, utilizando a “proporcionalidade”. Que estes ganhariam cerca de três ou quatro vezes menos que os estrangeiros… Mas ora!, ele está falando de rendas médias de dez mil reais, o que os colocam nas “primeiras letras de classe”, enquanto um professor recebe em média nem três salários mínimos. E o “hilário se não trágico” final do artigo: “Salário não cai do céu: conquista-se.”

Bem que ele poderia ser coerente e nos fazer uma prestação de suas contas pessoais para ver o quanto ele considera como “mensalmente suficiente” para sobreviver no país. Hipócrita!

Fonte: https://www.facebook.com/michelycoutinho82/posts/674298072594682