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Ética, cidadania e participação política

SEXTAS TEMÁTICAS – PRONERA UFG

SEXTAS TEMÁTICAS! FORMAÇÃO POLÍTICA

Profa. Gislene para os alunos do PRONERA / INCRA
Turma de alunos da Reforma agrária na Agronomia UFG

Programação Sala 10 Escola de Agronomia/UFG (Campus Samambaia)
Dia 11 de outubro de 2019, 14 horas às 16h30min
Michely Coutinho: ética, cidadania e participação política

Material:
– Slides da aula (clique aqui)
– Quadrinhos “Era só pedir”, de Emma (clique aqui)
– Slides Ativismo digital e a Democratização da Comunicação (clique aqui)

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Future-se vem atrelado a menos autonomia, dizem gerentes universitários

A aproximação do mercado financeiro é descrita como temerária, pois deixaria a ciência de base sem orçamento 

Apresentação do Future-se

No dia 17, o Ministério da Educação (MEC) lançou, via live no Facebook, o programa “Future-se”. A proposta, que passa por consulta pública até o dia 15 de agosto, tem a promessa de aumentar participação privada no ensino superior como forma de financiar pesquisa, geração de tecnologia, ensino e extensão. O ministro da Educação, Abraham Weintraub, descartou boatos de cobrança de mensalidade e afirmou que, para ter acesso a benefícios do programa, é necessário a adesão integral dos Institutos ao programa.

A legislação alterada pelo programa passará a permitir a parcerias público-privadas, criação de fundos imobiliários para aplicação na educação, cessão do patrimônio universitário para investimento em fundo financeiro, “naming rights”, e outros. Entretanto, as soluções para aumentar o orçamento das universidades vêm atreladas à medidas percebidas por sindicatos e autoridades da educação como retirada de autonomia.

Menos autonomia

Nelson Amaral, assessor especial da Reitoria da Universidade Federal de Goiás (UFG) afirmou – assim como o reitor Edward Madureira ao Jornal Opção – que com o atual nível de detalhamento das propostas é impossível saber, mas que o Future-se está sendo estudado. Nelson Amaral diz ser da alçada do Ministério fazer planos de investimento para aplicar na educação, mas que se preocupa com a autonomia da Universidade.

“Você tem a universidade e os ministérios”, elucida Nelson Amaral. “As Organizações Sociais (OSs) orbitam ministérios, não orbitam universidades. As universidades têm fundações que já fazem captação de recursos para complementar o orçamento, e todo outro tipo de relação com a sociedade. Se uma empresa quer investir na universidade, ela já pode fazer isso via fundação. Agora, as OSs vão trabalhar junto a um comitê gestor vinculado ao MEC, em Brasília. Isso é perda de autonomia universitária”.

O assessor especial da reitoria também afirmou que o plano é vago. “Não explicam o que entendem pelo termo ‘gestão’. Por exemplo: a segurança dos prédios, que depende da sociedade ao redor do campus e de seu desenho, isso também vai estar na jurisdição do MEC, longe da universidade? Nada está claro ainda”. Sobre a gestão, Edward Madureira afirmou que “Nós não temos dinheiro e conseguimos sobreviver. Não conseguimos entender como as OSs pretendem fazer mais do que nós”.

Concorda com ele Fernando César, diretor do sindicato dos trabalhadores técnico-administrativos em educação das instituições federais de ensino superior do estado de Goiás (Sint-Ifes). Ele afirma que vê o programa como uma ameaça à autonomia universitária, já que as OSs iriam gerir toda a universidade como a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares gere o Hospital das Clínicas, por licitação e de longe.

Fundos Privados

Ainda não foram definidos os aportes, taxas e proporções referentes ao “Fundo soberano do conhecimento”. No dia 17, o fundo foi apresentado como “uma receita privada negociada em bolsa, como um fundo multimercado, e também envolvendo fundo de investimento e participação”. O aporte de capital privado, a verba proveniente da exploração dos parques tecnológicos, patentes e royalties está relacionado a este fundo, que seria distribuído às instituições.

Venda de imóveis ociosos, endowment, “Naming Rights” são algumas das promessas para aumentar a verba das instituições. Fernando César vê com preocupação o fato de esses recursos não virem de fundos públicos. “Em governos passados, sabíamos quanto dinheiro receberíamos pela previsão dos royalties do petróleo. Venda de patrimônio é uma solução limitada, a noção de que o mercado investirá em fundos é temerário”.

O diretor do Sint-Ifes também lembra que a ciência de base e cursos sem atratividade do mercado, como História, por exemplo, não irão atrair parcerias público-privadas. “O projeto é muito mais de financiamento de empresas aos cursos, o que pode ser uma forma de financiar cursos mais próximos ao mercado, mas não é um projeto de educação”, afirma ele.

Flávio Alves opina sobre Future-se

Segundo levantamento do Jornal da Universidade de São Paulo (USP), o dinheiro que financia a pesquisa em países desenvolvidos é público. “No caso dos Estados Unidos, 60% do dinheiro para a pesquisa vêm dessa fonte; na Europa, 77%”, segundo a matéria. Também é lembrado que, o modelo de “endowment” (doações) pode funcionar para Harvard, mas essa universidade é uma exceção com 6.700 alunos na graduação enquanto a USP tem 59 mil – e mesmo assim, a maior parte de seu financiamento vem de fontes públicas.

Flávio Alves da Silva, presidente do Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás (Adufg) também foi demonstrou preocupação com a possibilidade de a concorrência pela captação de recursos do setor privado gerar uma competição nociva à educação.

Outras críticas cercam o fato de que o programa ignorou medidas já existentes nas universidades. Por exemplo: “Adotar programa de integridade, mapeamento e gestão de riscos corporativos, controle interno e auditoria externa”. Segundo Nelson Amaral, a universidade já passa por auditorias e está submetida a todos os controles do Tribunal de Contas da União.

 

Fonte: Jornal Opção, 21/07/2019
https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/future-se-197871/

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Projeto Future-se 2019

Ao invés de trabalhar para resolver os problemas e as áreas deficitárias no Brasil, o atual governo foca na polêmica (cortina de fumaça) e no ataque ao que dá certo no Brasil. Cerca de 90% da pesquisa e inovação no Brasil é pública, realizada pelas universidades federais. Ao invés de resolver o problema da educação básica, ele ataca a educação que dá certo. A apresentação do MEC do Future-se foi na melhor performance da apresentação de investimentos na Bolsa de Valores. O apresentador, banqueiro ou investidor. Analogias irreais com o futebol. Cada um no seu quadrado? Não. O país está à venda. Da Previdência à Educação, querem que tudo seja administrado por bancos. Ainda chamaram de “capitalismo social”. De social, nada. O foco é tão somente lucro e dinheiro. Apenas. Melhor nome para o governo é Medieve-se. O pior, o fundo do poço está longe. (COUTINHO, 17/07/2019)

► Convite do ministro: https://youtu.be/175nxoYgJrY

► Apresentação do Future-se pelo MEC em 17/07/2019:
https://www.facebook.com/ministeriodaeducacao/videos/626915377799667/

► Projeto de Lei Future-se CLIQUE AQUI!

► Carta de Vitória, Análise da Andifes CLIQUE AQUI!

► Reportagem com docentes da UFG para o Jornal Opção, com Edward Madureira, Nelson Amaral e Flávio Silva
https://www.jornalopcao.com.br/reportagens/future-se-197871/
(Link alternativo: https://michelycoutinho.com.br/2019/07/29/3023/)

ANÁLISES:

► O QUE VEM NA DESTRUIÇÃO DAS UNIVERSIDADES E INSTITUTOS FEDERAIS
1. Fim do FIES; financiamento pelo mercado;
2. Autonomia das universidades para captação de recursos e gastos;
3. Mensalidades pagas por faixa de renda;
4. Parcerias público-privadas (PPP), uma disfarce para a privatização;
5. Plano de carreira diferenciados para professores contratados sem concurso, que poderão ganhar bem mais que os concursados;
6. Incentivo para os concursados entrarem nesse plano de carreira à parte (estímulo á adesão e abandono do atual plano de carreira de concursados);
7. Fim das comissões representativas e decisórias; tudo será decidido por uma comissão universitária nomeada pela PPP, formada por gestores da iniciativa privada;
8. Reitorias formadas por gestores sem necessariamente serem professores;
9. Para a grande “reforma”, nomeação de juntas de governança nomeadas pelo Presidente da república;
10. Fechamento de cursos deficitários e fomento aos que atraem o mercado, tudo decidido e incentivado pelo gestores que aderirem ao plano do governo;
11. Fechamento, fusão ou venda de algumas universidades;
12. Congelamento dos salários de docentes e técnicos;incentivo à demissão voluntária;
13. Demissão por justa causa de concursados, por “falta de desempenho”;
14. Criação dos centros de excelência ( 10 universidades ou um pouco mais, que continuarão a receber recursos do governo, mas atrelados à lógica do mercado);
15. Esmaecimento a pesquisa básica;
16. Reformulação total dos regimentos internos das universidades, com endurecimento de regras de conduta e tribunais inquisidores;
17. Venda do patrimônio ou consignação por 30 a 50 anos de fazendas, prédios, terrenos etc das universidades;
18. Estimativa de aproximadamente 50% dos docentes e técnicos apoiarão a “reforma”;
19. Aumento das tensões e cisões nos departamentos, com perseguição, enlouquecimento e adoecimento de uma parte dos docentes;
20. Aparecimento de uma casta de funcionários composta por adesistas de primeira hora, camaleões de guarda-pó, vira-casacas e os novos contratados;
21. Contratação de professores e pesquisadores de outros países;
22. Aparecimento das Universidades Internacionais (não confundir com o modelo da U. Patrício Lumumba; ao contrário, vide a George Soros na Hungria);
23. Observem que muita gente que se diz “progressista”, vai sair do armário e se assumir como carreirista.
Tem mais. Depois escrevo.
Prof Renato Dagnino da Unicamp

► Notícias de Brasília sobre o projeto do MEC para as Universidades Federais.

“Em reunião de mais três horas no Ministério da Educação, os reitores das universidades federais ouviram as linhas gerais do projeto que o governo Bolsonaro promete para a “libertação” das instituições, nas palavras do próprio ministro Abraham Weintraub. Ele, aliás, ficou menos de 40 minutos no auditório. Depois, tuitou sobre temas nada relacionados ao assunto.
Nomeado de Future-se, o projeto do governo foi apresentado pelo secretário de ensino superior do MEC, Arnaldo Lima, e por Ariosto Antunes, secretário de educação tecnológica do ministério. Não foi distribuído nenhum documento aos dirigentes universitários. Em linhas gerais, o projeto – que entrará em consulta pública até 31 de julho – pretende reduzir os repasses federais com o custeio das universidades, criando, em troca, um mecanismo de captação de recursos pelas Instituições Federais de Ensino. O dispositivo depende da aprovação de um projeto de lei.
O Future-se será sustentado por um fundo soberano do conhecimento, privado, negociado em Bolsa, e multimercado. Os recursos iniciais viriam da alienação ou concessão de patrimônio da União, espalhado pelo país. O dinheiro ainda não existe. MEC diz que governo estima em R$ 50 bilhões a captação feita desta forma. As universidades submeteriam projetos para concorrer ao dinheiro.
Para disputar as verbas, as universidades precisam investir nos seguintes eixos: gestão, governança e empreendendorismo; pesquisa e inovação e internacionalização.
Representantes do MEC também querem implantar o modelo de Organizações Sociais (OS) para cuidar de serviços como limpeza e segurança. Neste caso, as verbas não vão contar para efeito do teto constitucional de gastos públicos. Um ato normativo sobre o tema deve ser publicado até fim de agosto.
Ainda no início da reunião, estudantes e representantes do Andes foram até a porta do ministério para protestar contra o projeto. Mas policiais militares reprimiram a manifestação com agressões e spray de pimenta. Após a apresentação no MEC, reitores foram até a sede da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Ensino Superior (Andifes) para avaliar o projeto.”
Lamento saber da ausência de um documento escrito sobre as medidas e penso que o projeto deva ser debatido em todas as instâncias das universidades, antes de aderir ou de recusar o Future-se. Nunca o setor jurídico e de planejamento das IFEs foi tão importante.
Vejo aí a criação de centros de excelência, o mal fadado sonho de FHC, em detrimento da expansão do ensino, pesquisa e sua interiorização. Veremos…

SINT Futurese Card Explicativo