Direito e Gênero: o que foi, o que é e o que poderá ser lei
FACMAIS – Faculdade de Inhumas, Goiás, 31 de outubro de 2017.
V Jornada do Direito FACMAIS: Movimento Social – o Direito, a Justiça e o Brasil atual
Apresentação em PDF CLIQUE AQUI!

Direito e Gênero: o que foi, o que é e o que poderá ser lei
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A insegurança vivida pelo público feminino é ponto de partida para criação de negócios que oferecem diversos serviços
Por Isabella Cavalcante
06/08/2017 5:30 , ATUALIZADO EM 04/08/2017 19:56
Você, sendo mulher, abriria a porta de casa para receber um estranho sozinha? Na prática, é isso que ocorre muitas vezes, quando se pede uma pizza, a entrega do gás ou contrata-se o serviço de um faz-tudo.
Ana Luisa Monteiro, de 28 anos, teve uma experiência ruim ao pedir um botijão de gás. O homem que fez o delivery a assediou, deixando-a vulnerável e com medo dentro da própria casa. Depois desse episódio, e diante do machismo que sofria no mercado de trabalho como produtora audiovisual, ela se juntou à amiga, a arquiteta Katherine Pavloski, de 29 anos, para criar o próprio negócio.
Motivadas pela constante atmosfera de insegurança, Ana e Katherine abriram uma empresa de serviços diversos oferecidos por mulheres e para mulheres, a Mana Manutenção. Trata-se de um nicho em plena expansão.
Com slogan “Mana – mulher conserta para mulher” a ideia surgiu em 2015. A empresa de manutenção residencial faz reparos e instalações no geral. “Antes de abrir a Mana tive chefes muito machistas e dentro da Mana sofremos assédio de vendedores de lojas”, conta Ana Luisa.
Além do conforto e da segurança das clientes, o modelo de negócio baseia-se na sororidade. “União e solidariedade entre mulheres, com companheirismo e empoderamento mútuo”: essa é a definição do termo para a especialista em direito do trabalho, empreendedora social e diretora de relações étnico-raciais, gênero e diversidade do SINT-IFESgo (Sindicato dos técnico-administrativos da UFG, IFG e IF Goiano) Michely Coutinho.

As empresárias Ana Luisa e Katherine participaram do programa sobre negócios “Shark Thank Brasil” .
Michely acredita que existe a necessidade e a demanda dessa especificidade de mercado. “Os nichos permitem que as empresas atendam melhor seus clientes. É a chamada discriminação positiva, é uma forma de garantir equidade às parcelas da população que historicamente foram marginalizadas, subestimadas ou tornadas invisíveis”.
Ana Luisa relembra dois casos de machismo que sofreu mesmo trabalhando em uma empresa exclusivamente feminina. “O marido de uma cliente uma vez entrou comigo no lavabo, disse que eu não sabia fazer aquele trabalho e que eu estava tentando roubar a esposa dele”, relata.
Ana também fala da vez em que sua sócia, Katherine, foi desrespeitada quando tentou comprar ferramentas. “O dono da loja não quis vender para ela e disse: ‘só te vendo se você me mostrar que sabe segurar’ “.
O serviço é sucesso com o público feminino. “É comum escutarmos que somos pontuais, mais organizadas e limpas, fora o conforto de não ter que se preocupar com assédios”, diz Ana Luisa. Atualmente, a empresa funciona apenas em São Paulo, mas pretende expandir o serviço em breve para outras regiões.

A criadora e CEO do LadyDriver, Gabriela Côrrea.
Há vários outros exemplos de negócios que seguem esse modelo. O LadyDriver é um aplicativo de mobilidade urbana que atua em São Paulo e Guarulhos. O aplicativo conecta passageiras mulheres a motoristas do sexo feminino. “Temos foco em trazer mais tranquilidade e empatia durante as corridas para as passageiras e valorizar as motoristas mulheres ao volante”, afirma a CEO e criadora do aplicativo, Gabriela Côrrea.
Assim como o “Mana”, a ideia da empresa surgiu de um assédio vivido pela fundadora. “Sofri uma situação constrangedora causada por um motorista, dentro de um carro chamado por aplicativo, e decidi que não queria que outras mulheres passassem pelo que passei”, conta Gabriela.
O aplicativo, que foi lançado em março deste ano, teve mais de 5 mil mulheres cadastradas como motoristas. Em quatro meses, o LadyDriver atingiu mais de 35.000 downloads de passageiras. “Quando eu prefiro uma motorista mulher de táxi ou Uber não é mero capricho”, afirma a especialista Michely Coutinho.
“Vivenciamos experiências diárias de insegurança, ainda mais quando testemunhamos a banalização da violência e cultura do estupro. Sabemos na pele o que significa termos serviços que nos deixam inseguras”, explica Michely.
A violência em serviços de mobilidade urbana não atinge só as clientes, mas também as motoristas. “Já sofri algumas vezes assédio, levo na esportiva porque tenho medo de falar alguma coisa e o cara fazer alguma maldade, além de não querer piorar o clima”, disse Graciene Vaz, de 38 anos, que atende como motorista de um aplicativo.
ISTOCKA configuração dessas empresas que visam a sororidade abre mais espaço para as mulheres no mundo dos negócios. Segundo o IBGE, em 2015, 63% dos cargos de chefia eram ocupados por homens.
“Em novos mercados e dinâmicas como a economia solidária, economia criativa e negócios sociais, as mulheres possuem mais participação do que em setores tradicionais”, ressalta Michely sobre os chamados “mercados em construção”, que permitem maior abertura.
Consequentemente esse empoderamento econômico garante empoderamento social e maior emancipação das mulheres em seus lares e na sociedade. “Estamos quantitativamente em crescimento, mas qualitativamente a vida de milhares de mulheres já melhorou com esses negócios”, aponta Michely.
Conheça mulheres que trabalham como CEOs:


Estamos publicando uma série de entrevistas com candidatas a vereadoras de várias cidades brasileiras, que declaram-se feministas, com o objetivo de publicizar propostas e incentivar maior participação das mulheres na política.
Michely Coutinho é candidata a vereadora pelo PT na cidade de Goiânia/GO.
Coligação: PT/PCdoB/PEN/PPL. Pagina do Facebook: Michely Coutinho
1. Você pode fazer um resumo sobre sua trajetória política até essa candidatura?
Sou advogada, educadora, radialista, servidora técnica da UFG e ativista social. Atualmente ocupo as funções de diretora de Relações Étnico-Raciais, Gênero e Diversidade do SINT-IFESgo (Sindicato dos técnico-administrativos da UFG, IFG, IF Goiano e Ebserh), de Responsabilidade Social da FAJE-Goiás (Federação das Associações de Jovens Empreendedores de Goiás), e da Associação Mulheres na Comunicação – AMARC Brasil, onde integro a produção dos programas “Palavra de Mulher”, Rádio Difusora e do “Voz da Mulher”, Rádio Universitária. Iniciei minha trajetória de ativismo enquanto diretora do CAXIM – Centro Acadêmico Onze de Maio, da Faculdade de Direito da UFG (2000, 2002 e 2003), quando também fui coordenadora-fundadora do NAJUP-UFG / Núcleo de Assessoria Jurídica Universitária Popular (2003-2004), onde comecei na luta pelos direitos humanos.
Minha atuação no mundo do trabalho, iniciou-se ainda na faculdade, quando estagiária do Tribunal Regional do Trabalho TRT-18ª Região (2004), pesquisadora PIBIC/CNPq (2003-2004) sobre sindicalismo e monitora da disciplina de Direito do Trabalho da Faculdade de Direito da UFG (2003). Em 2005 tomei posse no Banco do Brasil, tendo sido assistente de negócios empresariais até o ano de 2013. Enquanto bancária, tive militância sindical, co-fundando o Coletivo Bancários Goiás | NÓS Bancários – Núcleo de Oposição Sindical. Em paralelo, minha luta pelos direitos humanos assumiu a pauta feminista e LGBT, tendo co-fundado o Coletivo Colcha de Retalhos (2005-2015). Em 2013 tomei posse como servidora técnica da UFG e, além da militância sindical na UFG, integrei ações e programas importantes de inclusão e ações afirmativas, como a comissão que regulamentou o nome social na UFG e a criação da CAAF – Coordenadoria de Ações Afirmativas.
Enquanto feminista, desde o movimento estudantil pautamos a igualdade entre mulheres e homens, o protagonismo da mulher na política, a autonomia sobre suas decisões e sobre seu próprio corpo. E trabalhamos muito. Marchas do Março Mulher, Marcha das Vadias, seminários, cursos de formação e capacitação, conferências, rodas de conversa… Sempre estivemos na luta! Sempre estivemos presente.
2. Quais você considera que são os principais problemas a serem enfrentados pelas mulheres hoje?
Dos vários que podemos elencar como trabalho, educação, saúde, destaco a violência contra a mulher. Não é possível que em pleno ano de 2016 ainda tenhamos números epidêmicos de assassinatos e estupros tal qual no Brasil. Números que ainda hoje encontram “justificativa” em uma roupa, por exemplo. O Brasil precisa enfrentar a cultura do estupro e superar agentes políticos que não tenham compromisso com essa pauta. Em uma sociedade em que a violência de gênero não foi resolvida, quer dizer que o marco civilizatório não foi consolidado. Não podemos abrir mão da vida e integridade de nossas mulheres.
3. Qual tema feminista você tentará ter como foco caso seja eleita?
Nossa trajetória demonstra compromisso com várias pautas feministas, tal qual o programa mínimo da Plataforma “Vote numa Feminista”. E, em virtude de nossa atuação, destaco três focos: trabalho, educação e combate à violência. É fundamental garantirmos políticas públicas que empoderem as mulheres e lhes garantam autonomia financeira e equidade no mercado de trabalho, com igualdade de oportunidades e salários. Acesso a programas de microcrédito e fomento à economia solidária e criativa são estratégias importantes que o Poder Público pode incentivar.
A educação tem sido uma militância orgânica ao lado de coletivos e da comunidade acadêmica. Não podemos abrir mão de uma educação que paute gênero e diversidade, que se paute pela crítica e pela tolerância. Estamos acompanhando desde a tramitação dos planos de educação, o municipal e o estadual, e agora a questão da censura e mordaça aos professores nas escolas. Em Goiás, além do movimento nacional de praticamente criminalizar o professor, vilanizando e subestimando sua atuação, há ameaças de privatização com OS´s e a crescente militarização do ensino. Como terceiro ponto, os índices de violência contra a mulher são alarmantes em Goiânia. Continuamos nos primeiros lugares do ranking nacional, e é preciso de mais políticas públicas que garantam a vida e a integridade de nossas mulheres.
4. Quais as dificuldades em ser uma candidata feminista no sistema político brasileiro?
Infelizmente, a grande maioria dos partidos ainda encara uma candidatura feminina como “cota”. Tenho dialogado com mulheres do meu partido e de outros e a situação difere muito pouco entre as legendas. O sistema político brasileiro é machista. Se autodeclarando feminista, os narizes até dos correligionários torcem muito mais, ou ignoram mais. Enfrentamos uma falta de vontade de renovação.
Particularmente vemos muito mais esforço para reeleger quem já está lá (e que não pautou a questão de gênero) ou os “queridinhos” do partido, muitas vezes o filho de mandatários, como é o caso de Goiânia, pessoas sem lastro na vida política e que reproduzem vícios de fisiologismo e “familiocracia”. Queria poder dizer que partidos de esquerda são diferentes, mas nem sempre. As diferenças até existem, mas no fundo a conclusão é a mesma: o sistema político brasileiro é machista e precisamos avançar muito para superar nossa subrepresentação. Mas não deixaremos de resistir e exigir representatividade e prioridade.
Ver um Congresso brasileiro formado por homens, brancos e supostamente héteros nos dá a demonstração da política brasileira hoje onde a população não se vê representada, e uma pauta conservadora onde a prioridade não é o compromisso com mulheres, LGBTs e negrxs. Ou seja, a grande maioria da população não tem prioridade em seus direitos e conquistas. Mas que sejamos a mudança que queremos.
Fonte: http://blogueirasfeministas.com/2016/09/candidatas-feministas-michely-coutinho/